{"id":11442,"date":"2026-10-21T04:38:27","date_gmt":"2026-10-21T04:38:27","guid":{"rendered":"https:\/\/alternativasataluzia.com.br\/ROLIMDEMOURA\/2026\/10\/21\/prevenir-a-violencia-contra-mulheres-exige-educacao-conscientizacao-e-uma-rede-de-protecao-especiais-web-tv-alternativa\/"},"modified":"2026-10-21T04:38:27","modified_gmt":"2026-10-21T04:38:27","slug":"prevenir-a-violencia-contra-mulheres-exige-educacao-conscientizacao-e-uma-rede-de-protecao-especiais-web-tv-alternativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alternativasataluzia.com.br\/ROLIMDEMOURA\/2026\/10\/21\/prevenir-a-violencia-contra-mulheres-exige-educacao-conscientizacao-e-uma-rede-de-protecao-especiais-web-tv-alternativa\/","title":{"rendered":"prevenir a viol\u00eancia contra mulheres exige educa\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e uma rede de prote\u00e7\u00e3o \u2013 Especiais \u2013 WEB TV ALTERNATIVA"},"content":{"rendered":"<p>Por meio de projetos educativos junto \u00e0s escolas, a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os de acolhimento, o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Rond\u00f4nia atua na preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia de g\u00eanero e no fortalecimento da rede de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<figure class=\"image position-relative destacada mt-0 mb-2\"><figcaption class=\"caption badge rounded-pill bg-dark fw-lighter position-absolute bottom-0 end-0 m-2 text-white shadow-sm\">Projeto do MP de Rond\u00f4nia, Maria da Penha Vai \u00e0 Escola<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A viol\u00eancia contra meninas e mulheres nem sempre come\u00e7a com uma agress\u00e3o f\u00edsica. O controle sobre as roupas, a vigil\u00e2ncia do celular, o afastamento de amigos e familiares, a humilha\u00e7\u00e3o e o ci\u00fame excessivo tamb\u00e9m podem indicar comportamentos abusivos. Quando essas atitudes s\u00e3o interpretadas como demonstra\u00e7\u00f5es de amor ou cuidado, reconhecer os primeiros sinais de viol\u00eancia se torna mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A preven\u00e7\u00e3o passa pela educa\u00e7\u00e3o, pelo di\u00e1logo e pela participa\u00e7\u00e3o de diferentes setores da sociedade. Fam\u00edlia, escola, comunidade e institui\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o t\u00eam pap\u00e9is importantes na constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es baseadas no respeito, no consentimento e na igualdade de direitos.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Em Rond\u00f4nia, iniciativas como o projeto Maria da Penha Vai \u00e0 Escola, do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Rond\u00f4nia (MPRO), levam o debate sobre viol\u00eancia contra meninas e mulheres ao ambiente escolar. Ao mesmo tempo, profissionais da educa\u00e7\u00e3o e especialistas destacam a necessidade de a\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas, forma\u00e7\u00e3o dos educadores e participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias para que a preven\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limite a atividades pontuais.<\/p>\n<h2><strong>Como os adolescentes aprendem sobre relacionamentos?<\/strong><\/h2>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A fam\u00edlia costuma ser o primeiro espa\u00e7o em que crian\u00e7as observam como as pessoas se relacionam, demonstram afeto e lidam com conflitos. Na adolesc\u00eancia, essas refer\u00eancias se somam \u00e0s experi\u00eancias na escola, \u00e0s amizades e aos conte\u00fados consumidos nas redes sociais.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Segundo a psic\u00f3loga Julyana Pereira Bishop Camata, a necessidade de pertencimento pode levar adolescentes a reproduzir comportamentos e opini\u00f5es para serem aceitos por um grupo. As redes sociais tamb\u00e9m ampliam o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, mas podem refor\u00e7ar estere\u00f3tipos e padr\u00f5es irreais de relacionamento.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Essa combina\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias ajuda a compreender por que alguns jovens interpretam o ci\u00fame excessivo, o controle do celular e as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s amizades como demonstra\u00e7\u00f5es de amor. Durante as primeiras experi\u00eancias afetivas, eles ainda est\u00e3o construindo suas opini\u00f5es sobre relacionamentos e aprendendo a diferenciar cuidado de controle.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\"><i>\u201cEntre os sinais de alerta est\u00e3o humilha\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as, manipula\u00e7\u00f5es emocionais, chantagem, invas\u00e3o de privacidade e desrespeito \u00e0 recusa. Essas atitudes podem surgir antes de uma agress\u00e3o f\u00edsica e, quando s\u00e3o tratadas como naturais, tornam mais dif\u00edcil reconhecer uma rela\u00e7\u00e3o abusiva.\u201d\u00a0<\/i>Afirma a psic\u00f3loga Julyana Camata.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A forma como os meninos aprendem a lidar com as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o. De acordo com a psic\u00f3loga, em determinados contextos eles s\u00e3o ensinados a esconder sentimentos para corresponder a expectativas de masculinidade. Essa dificuldade pode prejudicar a comunica\u00e7\u00e3o, a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos e a aceita\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00f5es e limites.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Por isso, prevenir a viol\u00eancia n\u00e3o significa apenas ensinar meninas a identificar situa\u00e7\u00f5es de risco. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio ajudar meninos a reconhecer os pr\u00f3prios sentimentos, respeitar os limites de outras pessoas e lidar com frustra\u00e7\u00f5es sem recorrer ao controle ou \u00e0 agressividade.<\/p>\n<h2><strong>A escola como espa\u00e7o de preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A escola pode contribuir para a preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia ao oferecer espa\u00e7os de di\u00e1logo, estimular o pensamento cr\u00edtico e discutir comportamentos que muitas vezes s\u00e3o naturalizados nas rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Julyana defende que as abordagens sejam adequadas a cada faixa et\u00e1ria. Na inf\u00e2ncia, \u00e9 importante ensinar sobre o direito ao pr\u00f3prio corpo e o respeito aos limites. Na pr\u00e9-adolesc\u00eancia, as conversas podem incluir emo\u00e7\u00f5es, privacidade e estere\u00f3tipos. J\u00e1 na adolesc\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel aprofundar temas como consentimento, relacionamentos afetivos, press\u00e3o dos grupos, viol\u00eancia e uso respons\u00e1vel das redes sociais.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Quando um adolescente reproduz uma fala machista ou um comportamento de controle, a fam\u00edlia e a escola podem intervir.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Di\u00e1logo, orienta\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o acerca daquele comportamento s\u00e3o boas formas de interven\u00e7\u00e3o, evitando apenas puni\u00e7\u00f5es ou julgamentos que dificultem a compreens\u00e3o do problema.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Desde 2021 a legisla\u00e7\u00e3o brasileira, atrav\u00e9s da Lei Federal n\u00ba 14.164\/2021, incluiu conte\u00fados sobre a preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher nos curr\u00edculos da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e instituiu a Semana Escolar de Combate \u00e0 Viol\u00eancia contra a Mulher, realizada anualmente em mar\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Para que esse trabalho aconte\u00e7a ao longo do ano, s\u00e3o necess\u00e1rios planejamento, forma\u00e7\u00e3o dos profissionais e recursos para desenvolver atividades pedag\u00f3gicas. Maric\u00e9lia do Lago, secret\u00e1ria de Assuntos Municipais do Sindicato dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o no Estado de Rond\u00f4nia (SINTERO), destaca que a preven\u00e7\u00e3o precisa envolver as equipes pedag\u00f3gicas e preparar os professores para abordar o tema com os estudantes.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">\u201cEm nosso estado, esse \u00e9 um tema que sempre est\u00e1 em evid\u00eancia. H\u00e1 muita viol\u00eancia contra mulheres e meninas, agredidas na fam\u00edlia, na rua e tamb\u00e9m na escola, onde sofrem bullying. Esse \u00e9 um trabalho que precisa ser desenvolvido nas escolas, por meio das equipes pedag\u00f3gicas\u201d, afirma Maric\u00e9lia.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A preocupa\u00e7\u00e3o ganha ainda mais relev\u00e2ncia diante dos dados do 20\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2026, segundo os quais Rond\u00f4nia registrou, em 2025, uma taxa de 2,9 feminic\u00eddios por 100 mil mulheres, com 25 v\u00edtimas. O cen\u00e1rio refor\u00e7a a import\u00e2ncia de manter a preven\u00e7\u00e3o em evid\u00eancia durante todo o ano, com a\u00e7\u00f5es educativas cont\u00ednuas, forma\u00e7\u00e3o dos profissionais e participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias.<\/p>\n<h2><strong>A arte como caminho para discutir a viol\u00eancia<\/strong><\/h2>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Al\u00e9m das palestras e rodas de conversa, professores tamb\u00e9m recorrem a novas estrat\u00e9gias para aproximar os estudantes do tema e tornar a aprendizagem mais significativa.\u00a0<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Teatro, cinema, reda\u00e7\u00e3o e outras formas de express\u00e3o art\u00edstica podem aproximar os estudantes de temas complexos por meio da experi\u00eancia, da cria\u00e7\u00e3o e do debate. Em vez de apenas receber informa\u00e7\u00f5es, os jovens t\u00eam a oportunidade de questionar comportamentos, interpretar situa\u00e7\u00f5es e imaginar outras formas de conviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Para a professora Taiane Sales, a arte permite abordar quest\u00f5es sociais sem limitar a experi\u00eancia educativa a discursos moralizantes ou respostas prontas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">As linguagens art\u00edsticas podem estimular os estudantes a investigar as causas da viol\u00eancia, reconhecer manifesta\u00e7\u00f5es que foram naturalizadas e pensar em possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o. Nas artes c\u00eanicas, por exemplo, o encontro entre quem cria e quem assiste pode favorecer uma reflex\u00e3o coletiva sobre experi\u00eancias e rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Durante o m\u00eas de agosto, Taiane acompanhou o Projeto Agosto Lil\u00e1s do MPRO para desenvolver atividades com turmas da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para discutir a viol\u00eancia contra as mulheres. Com estudantes do 9\u00ba ano, utilizou o curta-metragem \u201c<i>Contraste\u201d<\/i>, produzido por meio da Lei Paulo Gustavo, com apoio da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL). O projeto pode ser assistido clicando aqui.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"media\">\n<p>\n<iframe title=\"CONTRASTE\" width=\"740\" height=\"416\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vK8zaEPN_vw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/figure>\n<p style=\"margin-left:0cm;\"><i>Professora Taiane Sales utilizou o curta-metragem Contraste em atividade sobre viol\u00eancia contra mulheres durante o Agosto Lil\u00e1s. Captura de tela: YouTube, 2026.<\/i><\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">O filme tem como protagonista a Palha\u00e7a Firmina, personagem que utiliza humor, ironia e performance para provocar reflex\u00f5es sobre quest\u00f5es sociais, especialmente a viol\u00eancia contra as mulheres. A obra apresenta estat\u00edsticas e refer\u00eancias a casos de feminic\u00eddio, contrastando a comicidade da personagem com a gravidade da realidade denunciada.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A atividade foi desenvolvida durante um estudo sobre arte p\u00fablica e suas possibilidades de interven\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os urbanos. Segundo Taiane, os estudantes participaram com mais entusiasmo, relacionaram o conte\u00fado art\u00edstico a quest\u00f5es sociais presentes no cotidiano e demonstraram interesse pela obra.\u00a0<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A professora avalia que esse tipo de aproxima\u00e7\u00e3o pode abrir espa\u00e7o para conversas sobre assuntos dif\u00edceis em um ambiente menos formal. A partir da experi\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel discutir viol\u00eancia psicol\u00f3gica, moral e f\u00edsica, al\u00e9m de atitudes machistas que acabam sendo tratadas como normais nas rela\u00e7\u00f5es cotidianas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">N\u00e3o basta ensinar meninas a reconhecer a viol\u00eancia. Precisamos tamb\u00e9m educar meninos para que n\u00e3o a reproduzam. A escola tem um papel importante nessa constru\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas ao apresentar informa\u00e7\u00f5es, mas ao criar espa\u00e7os seguros de escuta, reflex\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o. Afinal, reconhecer uma viol\u00eancia tamb\u00e9m significa compreender que podemos ser instrumentos de prote\u00e7\u00e3o, tanto para n\u00f3s mesmos quanto para outras pessoas.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<figure class=\"image\"><figcaption><i>Professora Taiane Sales durante atividade sobre viol\u00eancia contra mulheres no Agosto Lil\u00e1s<\/i><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">O acesso \u00e0 cultura tamb\u00e9m faz parte desse debate. Taiane chama aten\u00e7\u00e3o para as desigualdades nas oportunidades de participa\u00e7\u00e3o cultural, especialmente nas periferias e nos munic\u00edpios do interior de Rond\u00f4nia. Espet\u00e1culos teatrais, oficinas de cinema, dan\u00e7a e circo, projetos de grafite e iniciativas de comunica\u00e7\u00e3o escolar s\u00e3o algumas das experi\u00eancias que podem ampliar o repert\u00f3rio dos jovens.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Para ela, projetos desse tipo permitem exercitar habilidades importantes para a conviv\u00eancia, como escutar, negociar, respeitar limites, acolher diferen\u00e7as e lidar com frustra\u00e7\u00f5es. Embora uma atividade isolada n\u00e3o resolva problemas estruturais como o machismo, experi\u00eancias coletivas podem criar oportunidades para refletir sobre a maneira como cada pessoa se relaciona com as outras.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A professora tamb\u00e9m defende a cultura como um direito e uma oportunidade de ampliar perspectivas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Por isso, defender o acesso \u00e0 cultura n\u00e3o \u00e9 defender um privil\u00e9gio ou uma atividade complementar. \u00c9 defender um direito e uma possibilidade concreta de ampliar horizontes, fortalecer v\u00ednculos e construir outras perspectivas de futuro.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2><strong>A atua\u00e7\u00e3o do MPRO na preven\u00e7\u00e3o e no acolhimento\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Al\u00e9m das iniciativas desenvolvidas nas escolas, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas t\u00eam atribui\u00e7\u00f5es importantes na conscientiza\u00e7\u00e3o, na preven\u00e7\u00e3o e no atendimento de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">O MPRO desenvolve o projeto Maria da Penha Vai \u00e0 Escola, voltado \u00e0 discuss\u00e3o dos direitos das mulheres, \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o de comportamentos machistas e \u00e0 preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia de g\u00eanero. Estudantes t\u00eam acesso a palestras, rodas de conversa, oficinas, distribui\u00e7\u00e3o de cartilhas, v\u00eddeos educativos, din\u00e2micas para identificar comportamentos abusivos e caixas de perguntas an\u00f4nimas.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"O respeito que precisa ser ensinado: prevenir a viol\u00eancia contra mulheres exige educa\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e uma rede de prote\u00e7\u00e3o\" data-=\"\" style=\"--img-height: 674px; --img-width: 1200px;\" width=\"1200\" height=\"674\" data-fslightbox-src=\"https:\/\/alternativasataluzia.com.br\/ROLIMDEMOURA\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1792557507_426_mp-na-escpla.jpg\" class=\"fslightbox lazy \" src=\"https:\/\/alternativasataluzia.com.br\/ROLIMDEMOURA\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1792557507_426_mp-na-escpla.jpg\"\/><figcaption><i>Audit\u00f3rio da Escola Estadual Josino Brito, em Cacoal, durante atividade de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia contra meninas e mulheres. Foto: MPRO.\u00a0<\/i><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Os conte\u00fados abordam diferentes formas de viol\u00eancia \u2014 f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial e moral \u2014, al\u00e9m de consentimento, limites nos relacionamentos, viol\u00eancia no namoro e riscos relacionados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o de imagens \u00edntimas e a outras formas de viol\u00eancia digital.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Dados do Minist\u00e9rio P\u00fablico registram atividades em diferentes localidades do estado. Em 2024, mais de 2.235 alunos e participantes foram contabilizados em a\u00e7\u00f5es realizadas em mais de 30 institui\u00e7\u00f5es de ensino, distribu\u00eddas por 14 munic\u00edpios. Em 2025, aproximadamente 1.100 estudantes e professores foram atendidos diretamente em palestras realizadas em mais de 18 escolas e em 12 comarcas participantes.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Para 2026, o documento informa a ades\u00e3o de 20 Promotorias de Justi\u00e7a ao projeto e o envio pr\u00e9vio de 10 mil cartilhas educativas. O ciclo de palestras teve in\u00edcio em mar\u00e7o e finaliza em novembro deste ano.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img decoding=\"async\" alt=\"O respeito que precisa ser ensinado: prevenir a viol\u00eancia contra mulheres exige educa\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e uma rede de prote\u00e7\u00e3o\" data-=\"\" style=\"--img-height: 768px; --img-width: 1024px;\" width=\"1024\" height=\"768\" data-fslightbox-src=\"https:\/\/alternativasataluzia.com.br\/ROLIMDEMOURA\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1792557507_685_1-1-1.png\" class=\"fslightbox lazy \" src=\"https:\/\/alternativasataluzia.com.br\/ROLIMDEMOURA\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1792557507_685_1-1-1.png\"\/><\/figure>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">O projeto tamb\u00e9m utiliza atividades culturais para discutir o tema. Uma das iniciativas citadas pelo MPRO foi o concurso de teatro \u201c<i>Uma Vida sem Viol\u00eancia \u00e9 Direito de Todas as Mulheres\u201d<\/i>, realizado na comarca de Alta Floresta d\u2019Oeste, com participa\u00e7\u00e3o de estudantes da Escola Juscelino Kubitschek de Oliveira. A pe\u00e7a vencedora foi apresentada no audit\u00f3rio da C\u00e2mara Municipal.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A iniciativa teve repercuss\u00e3o na comunidade e contribuiu para impulsionar a aprova\u00e7\u00e3o da Lei Municipal n\u00ba 008\/2024, que estabelece restri\u00e7\u00f5es \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o para cargos p\u00fablicos municipais de pessoas condenadas com base na Lei Maria da Penha.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"O respeito que precisa ser ensinado: prevenir a viol\u00eancia contra mulheres exige educa\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e uma rede de prote\u00e7\u00e3o\" data-=\"\" style=\"--img-height: 541px; --img-width: 777px;\" width=\"777\" height=\"541\" data-fslightbox-src=\"https:\/\/alternativasataluzia.com.br\/ROLIMDEMOURA\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1792557507_432_doc-alta-floresta.jpeg\" class=\"fslightbox lazy \" src=\"https:\/\/alternativasataluzia.com.br\/ROLIMDEMOURA\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1792557507_432_doc-alta-floresta.jpeg\"\/><figcaption><i>Trecho do Projeto de Lei n\u00ba 8\/2024, que proibe nomea\u00e7\u00e3o para cargos p\u00fablicos de pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha<\/i><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Na rede estadual de ensino, a Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o de Rond\u00f4nia (SEDUC-RO) desenvolve o Projeto Educa\u00e7\u00e3o de Paz (Epaz), implantado em 2023. A iniciativa busca fortalecer a cultura de paz, promover o acolhimento e contribuir para identificar situa\u00e7\u00f5es de risco no ambiente escolar.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Segundo a Secretaria, o projeto envolve equipes pedag\u00f3gicas e t\u00e9cnicas, psic\u00f3logos, assistentes sociais e profissionais das for\u00e7as de seguran\u00e7a. Entre as a\u00e7\u00f5es est\u00e3o atividades educativas, acompanhamento de ocorr\u00eancias, atendimento multiprofissional, capacita\u00e7\u00e3o de gestores e articula\u00e7\u00e3o com a rede de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><strong>Quando a suspeita chega \u00e0 rede de prote\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Para o Conselho Tutelar, a escola tamb\u00e9m tem papel fundamental na identifica\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. Professores e equipes pedag\u00f3gicas podem perceber mudan\u00e7as de comportamento, isolamento, queda no rendimento escolar ou sinais de sofrimento que merecem aten\u00e7\u00e3o. Segundo Ana Paula Lima Brito da Silva, conselheira tutelar, as escolas p\u00fablicas e privadas podem comunicar suspeitas de viol\u00eancia sem precisar comprovar o ocorrido. A partir do encaminhamento, o Conselho avalia a situa\u00e7\u00e3o e articula as medidas de prote\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias com os servi\u00e7os de sa\u00fade, assist\u00eancia social e demais \u00f3rg\u00e3os competentes.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o da conselheira refor\u00e7a a import\u00e2ncia de aproximar as institui\u00e7\u00f5es que atuam na prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes .<i>\u201cA preven\u00e7\u00e3o e o enfrentamento da viol\u00eancia exigem identifica\u00e7\u00e3o precoce, acolhimento sem julgamento, comunica\u00e7\u00e3o adequada e atua\u00e7\u00e3o integrada da rede de prote\u00e7\u00e3o. O fortalecimento dessas parcerias institucionais permite respostas mais r\u00e1pidas e efetivas, reduz a possibilidade de agravamento das situa\u00e7\u00f5es e contribui para garantir os direitos, a seguran\u00e7a e o desenvolvimento saud\u00e1vel de crian\u00e7as e adolescentes.\u201d afirma a Conselheira.<\/i><\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Nesse processo, o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Rond\u00f4nia (MPRO) tamb\u00e9m tem papel relevante ao levar o debate sobre a viol\u00eancia contra meninas e mulheres. A continuidade dessas a\u00e7\u00f5es, aliada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos educadores e \u00e0 articula\u00e7\u00e3o com a rede de prote\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental para que a conscientiza\u00e7\u00e3o se transforme em pr\u00e1tica cotidiana.<\/p>\n<h2><strong>Prevenir \u00e9 construir caminhos antes da viol\u00eancia<\/strong><\/h2>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra meninas e mulheres n\u00e3o se limita ao ambiente escolar. Embora a educa\u00e7\u00e3o seja fundamental para questionar comportamentos abusivos desde cedo, o enfrentamento tamb\u00e9m depende de informa\u00e7\u00e3o acess\u00edvel, acolhimento \u00e0s v\u00edtimas, forma\u00e7\u00e3o dos profissionais e articula\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Em Rond\u00f4nia, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Rond\u00f4nia (MPRO) desenvolve, h\u00e1 anos, iniciativas de conscientiza\u00e7\u00e3o e enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. Al\u00e9m do projeto Maria da Penha Vai \u00e0 Escola, que leva o debate sobre viol\u00eancia de g\u00eanero ao ambiente escolar, a institui\u00e7\u00e3o mant\u00e9m a\u00e7\u00f5es voltadas ao atendimento das v\u00edtimas e \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do acesso aos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"O respeito que precisa ser ensinado: prevenir a viol\u00eancia contra mulheres exige educa\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e uma rede de prote\u00e7\u00e3o\" data-=\"\" style=\"--img-height: 2000px; --img-width: 800px;\" width=\"800\" height=\"2000\" data-fslightbox-src=\"https:\/\/alternativasataluzia.com.br\/ROLIMDEMOURA\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1792557507_443_infografico-mpro.png\" class=\"fslightbox lazy \" src=\"https:\/\/alternativasataluzia.com.br\/ROLIMDEMOURA\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1792557507_443_infografico-mpro.png\"\/><\/figure>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Entre essas iniciativas est\u00e3o o MP \u2013 Mulher Protegida, que aproxima os servi\u00e7os do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da rede de prote\u00e7\u00e3o de mulheres que vivem em comunidades afastadas das sedes das comarcas; a Sala Lil\u00e1s, voltada ao atendimento humanizado; a Ouvidoria das Mulheres; e o N\u00facleo de Atendimento \u00e0s V\u00edtimas (NAVIT), que atua no acolhimento, na orienta\u00e7\u00e3o e no encaminhamento de v\u00edtimas e familiares aos servi\u00e7os necess\u00e1rios. O Mapa da Viol\u00eancia Dom\u00e9stica, por sua vez, re\u00fane dados sobre o problema em Rond\u00f4nia e pode contribuir para dimensionar a situa\u00e7\u00e3o e subsidiar o planejamento de a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Em 2026, quando a Lei Maria da Penha completa 20 anos, a programa\u00e7\u00e3o do Agosto Lil\u00e1s inclui iniciativas para ampliar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e aos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o. Entre as iniciativas anunciadas pelo MPRO est\u00e3o o Portal de Prote\u00e7\u00e3o, que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre servi\u00e7os e canais de atendimento, e uma coopera\u00e7\u00e3o com a empresa Urbano Norte para facilitar o deslocamento de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia at\u00e9 os \u00f3rg\u00e3os da rede de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A persist\u00eancia da viol\u00eancia tamb\u00e9m foi lembrada por Benedita Nascimento, representante da Rede Lil\u00e1s, durante o evento de abertura do \u201cAgosto Lil\u00e1s\u201d. Ao refletir sobre o tempo transcorrido desde a cria\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha, ela expressou a indigna\u00e7\u00e3o diante da perman\u00eancia da viol\u00eancia dom\u00e9stica e do feminic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">\u201c\u00c9 muito desagrad\u00e1vel estar ainda, ap\u00f3s 19 anos da Lei Maria da Penha, tentando encontrar uma sa\u00edda para enfrentar o feminic\u00eddio e a viol\u00eancia dom\u00e9stica.\u201d<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">A fala evidencia o tamanho do desafio: mesmo com avan\u00e7os legais e a amplia\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o, ainda \u00e9 necess\u00e1rio encontrar caminhos para impedir que a viol\u00eancia continue atravessando a vida de meninas e mulheres.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Prevenir exige mais do que agir depois da agress\u00e3o. \u00c9 ensinar, desde cedo, que respeito n\u00e3o combina com controle, que ci\u00fame n\u00e3o justifica humilha\u00e7\u00e3o e que nenhuma pessoa tem o direito de decidir sobre a vida de outra. \u00c9 garantir que a informa\u00e7\u00e3o chegue a quem precisa, que o acolhimento n\u00e3o culpe a v\u00edtima e que a rede de prote\u00e7\u00e3o esteja preparada para agir.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Prevenir \u00e9 abrir caminhos antes que a viol\u00eancia os feche. \u00c9 permitir que meninas cres\u00e7am sem confundir controle com amor, que mulheres fa\u00e7am suas escolhas sem temer repres\u00e1lias e que nenhuma v\u00edtima precise enfrentar sozinha aquilo que a sociedade tem o dever de combater.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\">Porque uma menina livre \u00e9 aquela que pode imaginar o pr\u00f3prio futuro sem medo. E uma mulher livre \u00e9 aquela que pode viv\u00ea-lo com voz, autonomia e seguran\u00e7a. Construir essa realidade \u00e9 fazer com que meninas e mulheres possam viver por inteiro, em todos os espa\u00e7os, sem que a liberdade lhes custe a pr\u00f3pria seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"margin-left:0cm;\"><i><strong>* J\u00e9ssica de Carvalho Arrais \u00e9 Acad\u00eamica da Universidade Federal de Rond\u00f4nia<\/strong><\/i><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/webtvalternativa.net\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1792527851_329_pixel\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\"Rondoniagora.com\" style=\"width: 1px !important; height: 1px !important; max-width: 1px !important; max-height: 1px !important\"\/><\/p>\n<\/div>\n<p><em>Via: <a href=\"https:\/\/webtvalternativa.net\/2026\/10\/20\/o-respeito-que-precisa-ser-ensinado-prevenir-a-violencia-contra-mulheres-exige-educacao-conscientizacao-e-uma-rede-de-protecao-especiais\/\">web tv alternativa<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por meio de projetos educativos junto \u00e0s escolas, a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os de acolhimento, o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Rond\u00f4nia atua na preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia de g\u00eanero e no fortalecimento da rede de prote\u00e7\u00e3o. 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