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Seduc abre inscrições para a 2ª edição do Intercâmbio Educacional nos Estados Unidos

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Resposta rápida: o professor pode se preparar para lidar com TDAH em sala de aula combinando três frentes, entender o que o transtorno realmente é e como ele se manifesta no comportamento escolar, adaptar rotinas e estratégias pedagógicas para favorecer a atenção e a organização do aluno, e buscar capacitação continuada, algo que deixou de ser apenas recomendável e passou a ser uma exigência prevista em lei federal para os sistemas de ensino brasileiros.

É comum que o primeiro contato de um professor com um aluno com TDAH aconteça antes mesmo de qualquer diagnóstico formal. Muitas vezes é o próprio educador quem observa, ao longo do ano letivo, uma dificuldade persistente de manter a atenção, terminar tarefas ou permanecer sentado durante períodos mais longos. Essa observação tem peso real: pesquisas conduzidas em escolas brasileiras mostram que a triagem inicial feita pelas professoras costuma identificar corretamente uma parte significativa dos casos que depois são confirmados por diagnóstico clínico, o que reforça o quanto o olhar atento do professor é parte do processo, mesmo sem substituir a avaliação profissional.

O que o TDAH realmente é

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade é uma condição do neurodesenvolvimento que pode afetar a concentração, a organização e o controle do comportamento. Ele não tem um exame de sangue ou uma imagem de ressonância que o confirme sozinho, o diagnóstico é clínico, baseado em critérios comportamentais bem estabelecidos, como os descritos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM-5, referência usada por profissionais de saúde mental em todo o mundo.

Estudos de meta-análise que reuniram dados de mais de 170 mil pessoas em diferentes países estimam uma prevalência mundial próxima de 5% entre crianças e adolescentes, com variações explicadas mais pelas diferenças de metodologia entre os estudos do que por diferenças geográficas reais. Isso significa que é bastante provável que, ao longo da carreira, praticamente todo professor de educação básica tenha em algum momento um ou mais alunos com TDAH em sala, mesmo que o diagnóstico ainda não tenha sido feito.

Como o TDAH aparece na rotina escolar

Na prática de sala de aula, o TDAH costuma se manifestar de formas que variam bastante de um aluno para outro. Alguns apresentam mais o componente de desatenção, com dificuldade de seguir instruções em várias etapas, perder materiais com frequência ou parecer “no mundo da lua” durante explicações. Outros mostram mais hiperatividade e impulsividade, levantando da carteira sem perceber, interrompendo colegas ou tendo dificuldade em esperar sua vez. Existe ainda o perfil combinado, que reúne características dos dois grupos.

É importante que o professor não confunda esses comportamentos com falta de educação, preguiça ou desinteresse proposital. Quando essas características não são compreendidas dentro do contexto do transtorno, o risco é que o aluno seja repetidamente repreendido por algo que não está inteiramente sob seu controle voluntário, o que tende a gerar frustração tanto para a criança quanto para o educador.

Por que essa capacitação deixou de ser opcional

Em 2021 foi sancionada a Lei Federal nº 14.254, que instituiu um programa de acompanhamento integral para estudantes com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem na educação básica, tanto na rede pública quanto na privada. A norma prevê identificação precoce do transtorno, encaminhamento do aluno para diagnóstico e apoio educacional dentro da própria rede de ensino, em conjunto com o apoio terapêutico especializado da rede de saúde.

Um dos pontos mais relevantes da lei para quem está em sala de aula é o artigo que trata diretamente da formação docente. O texto determina que os sistemas de ensino devem garantir aos professores da educação básica amplo acesso à informação sobre os encaminhamentos possíveis e formação continuada para capacitá-los à identificação precoce dos sinais relacionados aos transtornos de aprendizagem e ao TDAH, além do atendimento educacional adequado dentro da escola.

Na prática, isso significa que a capacitação docente sobre TDAH não é mais apenas uma boa prática pedagógica isolada, é uma responsabilidade prevista em lei federal, o que reforça a importância de professores buscarem ativamente esse conhecimento, independentemente de a própria rede de ensino já oferecer ou não essa formação de forma estruturada.

Estratégias práticas para o dia a dia da sala de aula

Algumas adaptações simples costumam fazer diferença real no engajamento de alunos com TDAH, sem exigir uma reformulação completa do planejamento de aula. Estabelecer rotinas visuais, como quadros ou agendas que organizem as atividades do dia, ajuda o aluno a antecipar o que vem a seguir e reduz a ansiedade ligada à imprevisibilidade. Dividir tarefas longas em etapas menores, com pausas curtas entre elas, também tende a favorecer a manutenção da atenção.

Posicionar o aluno em locais da sala com menos estímulos visuais e sonoros ao redor, próximo ao professor, facilita o redirecionamento discreto da atenção quando necessário. Instruções dadas de forma clara, curta e uma de cada vez costumam ser mais eficazes do que comandos longos com várias etapas ao mesmo tempo. Reforço positivo imediato, reconhecendo pequenos avanços assim que eles acontecem, tende a funcionar melhor do que consequências negativas aplicadas depois de comportamentos indesejados.

Nenhuma dessas estratégias substitui o acompanhamento clínico do aluno quando ele existe, mas todas contribuem para um ambiente escolar mais favorável ao aprendizado, com ou sem diagnóstico formal já confirmado.

O papel da parceria entre escola e família

O trabalho do professor se fortalece consideravelmente quando existe comunicação constante com a família do aluno. Compartilhar observações sobre o comportamento em sala, alinhar estratégias que também estão sendo usadas em casa e manter uma linha de comunicação aberta com os responsáveis evita que o aluno receba orientações contraditórias em ambientes diferentes, o que costuma prejudicar ainda mais a consistência necessária para lidar com o TDAH.

Quando existe também acompanhamento por profissionais de saúde, como neuropediatras, psicólogos ou psicopedagogos, a troca de informações entre esses profissionais e a escola tende a produzir um plano mais coerente e eficaz para o aluno, algo que a própria Lei 14.254 prevê ao mencionar a articulação entre a rede de ensino e a rede de saúde.

Como se capacitar de forma estruturada

Buscar informação de forma isolada, por meio de artigos ou vídeos avulsos, ajuda, mas tem limites. Um curso estruturado sobre o tema costuma organizar esse conhecimento de forma progressiva, começando pelos fundamentos do transtorno até chegar às estratégias práticas aplicáveis em sala de aula, o que economiza tempo e reduz a chance de o professor formar uma compreensão parcial ou equivocada sobre o assunto.

A Unova Cursos disponibiliza formações voltadas para educadores que querem se aprofundar nesse tema, com opções sobre TDAH e sobre educação inclusiva de forma mais ampla, todas online, com matrícula gratuita e certificado opcional para quem deseja comprovar a capacitação em processos seletivos ou para fins de horas complementares.

Preparar-se para lidar com TDAH em sala de aula não é sobre dominar técnicas complexas de um dia para o outro, é sobre observar, adaptar e buscar conhecimento de forma contínua. Com informação adequada, o professor deixa de enxergar o comportamento do aluno como um obstáculo e passa a enxergá-lo como parte de um processo que pode, sim, ser conduzido com mais tranquilidade para todos os envolvidos.

Perguntas frequentes

Um professor pode diagnosticar TDAH?

Não. O diagnóstico é clínico e deve ser feito por profissionais de saúde qualificados, com base em critérios estabelecidos pelo DSM-5. O papel do professor é observar sinais persistentes de desatenção, hiperatividade ou impulsividade e encaminhar essa observação para a família, que poderá buscar avaliação especializada.

Existe uma lei que obriga a escola a capacitar professores sobre TDAH?

Sim. A Lei Federal nº 14.254, sancionada em 2021, determina que os sistemas de ensino garantam aos professores da educação básica acesso à informação e formação continuada para identificação precoce de sinais relacionados ao TDAH e a outros transtornos de aprendizagem, além do atendimento educacional adequado dentro da escola.

Qual a porcentagem de alunos que pode ter TDAH em uma sala de aula?

Estudos de meta-análise indicam uma prevalência mundial próxima de 5% entre crianças e adolescentes, o que significa que praticamente toda sala de aula de educação básica pode ter pelo menos um aluno com o transtorno, diagnosticado ou não.

Quais adaptações simples ajudam um aluno com TDAH em sala?

Rotinas visuais, divisão de tarefas em etapas menores, instruções curtas e diretas, posicionamento estratégico na sala com menos distrações ao redor e reforço positivo imediato costumam favorecer o engajamento, mesmo sem uma reformulação completa do planejamento pedagógico.

Onde um professor pode se capacitar sobre TDAH de forma gratuita?

Existem cursos online voltados especificamente para esse tema, que organizam o conteúdo de forma estruturada. A Unova Cursos, por exemplo, oferece formações gratuitas sobre TDAH e educação inclusiva, com certificado opcional para quem deseja comprovar a capacitação.

Fonte: Via: florestanoticias

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A barreira invisível: o abismo entre o voto feminino e o poder político em Rondônia – Especiais

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Mulheres são maioria do eleitorado rondoniense, mas continuam sub-representadas nos espaços de decisão.

O direito de votar não foi uma concessão espontânea. Foi uma conquista construída ao longo de décadas, em meio à resistência de uma sociedade que durante muito tempo tratou as mulheres como incapazes de participar das decisões públicas. No Brasil, o voto feminino foi reconhecido em 1932, depois de uma longa mobilização pelo direito das mulheres de escolher seus representantes e serem reconhecidas como cidadãs.

Eleitora vota para presidente da República em 1955, no Rio de Janeiro. O direito ao voto foi uma conquista histórica das mulheres brasileiras. Imagem: Arquivo Nacional.

Mas a presença das mulheres nos espaços de poder ainda está longe de refletir sua participação na sociedade. Em Rondônia, elas representam 51,58% do eleitorado, com 653.593 eleitoras aptas a votar nas eleições de 2026. Apesar de serem maioria nas urnas, continuam em minoria entre as pessoas eleitas.

O resultado das eleições estaduais de 2026 evidencia essa desigualdade. As mulheres conquistaram três das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Rondônia e três das oito vagas do estado na Câmara dos Deputados. No Senado Federal, as duas vagas titulares foram conquistadas por homens, assim como os cargos de governador e vice-governador.

A barreira invisível: o abismo entre o voto feminino e o poder político em Rondônia
Infográfico: Representação feminina nos cargos eletivos de Rondônia após as eleições de 2026

A desigualdade, porém, não se resume à quantidade de cadeiras ocupadas. Ela também se manifesta nas condições para disputar uma eleição, conquistar apoio, exercer um mandato e ter suas decisões respeitadas. Em situações mais graves, essas barreiras assumem a forma de violência política de gênero.

Quando ocupar espaço significa ter de provar que se pertence a ele

Para mulheres que chegam à política, conquistar uma posição nem sempre significa ter sua autoridade reconhecida. A experiência de Liliane Rodrigues, representante de um partido político em Rondônia, revela como essa desigualdade pode aparecer nas relações cotidianas de poder.

“É exaustivo ter que reafirmar constantemente a nossa capacidade, enfrentar colegas homens que tentam passar por cima das nossas decisões e ocupar espaços que conquistamos com responsabilidade e competência. O machismo não se manifesta apenas pela agressão física; ele está presente nas atitudes que tentam silenciar, diminuir e desrespeitar as mulheres”, relata.

O que Liliane descreve não se resume à disputa por espaço. Trata-se também de conseguir exercer a autoridade depois de conquistá-la. Quando decisões são desconsideradas ou a capacidade de uma mulher é colocada em dúvida por causa do gênero, a desigualdade pode se manifestar de forma menos evidente, incorporada às relações cotidianas.

É justamente essa dimensão menos visível que exige atenção, explica Glauco Maldonado Martins, coordenador eleitoral do Ministério Público de Rondônia (MPRO).

“Existe uma violência chamada simbólica. Essa violência é uma violência, muitas vezes, invisibilizada, porque nem a própria mulher consegue entender que ela acabou de ser vítima de uma violência”, explica.

Segundo Glauco, gestos, piadas e falas podem transmitir uma ideia de superioridade masculina, desqualificar a capacidade intelectual de uma mulher ou tentar afastá-la de um debate. Ele ressalta que a divergência política, por si só, não constitui uma infração.

“Divergir da mulher no campo das ideias não é crime, isso faz parte da democracia”, afirma.

A lei e a clareza: o que é violência política de gênero?

A violência política de gênero é uma forma de restringir a participação das mulheres na vida política por meio de condutas discriminatórias, intimidação ou tentativas de silenciamento. No âmbito criminal, o artigo 326-B do Código Eleitoral tipifica condutas praticadas contra candidatas a cargo eletivo ou detentoras de mandato, quando envolvem menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia e têm a finalidade de impedir ou dificultar a campanha eleitoral ou o exercício do mandato.

Incluído pela Lei nº 14.192/2021, o dispositivo prevê pena de reclusão de um a quatro anos e multa, observadas as circunstâncias previstas na legislação.

A identificação de uma possível situação de violência política de gênero depende da análise do contexto e dos requisitos legais. Divergências políticas, críticas ou conflitos, isoladamente, não configuram automaticamente esse crime.

A fraude à cota de gênero é outra irregularidade eleitoral. Ela ocorre quando candidaturas femininas são registradas de forma fictícia para contornar a exigência legal de participação de mulheres. Quando comprovada, pode levar a sanções eleitorais, conforme as circunstâncias e a responsabilidade dos envolvidos. É uma infração distinta do crime de violência política de gênero, embora ambas as situações possam prejudicar a participação feminina na política.

O que dizem as mulheres eleitas

Para compreender como essas barreiras são percebidas em Rondônia, a reportagem ouviu sete mulheres eleitas sobre violência política, segurança, condições de campanha e apoio dos partidos.

Entre as participantes, quatro afirmaram ter sofrido ou presenciado discriminação ou ataques motivados pelo fato de serem mulheres. Cinco apontaram o posicionamento político ou ideológico como fator relacionado a essas experiências, enquanto quatro mencionaram o partido político. Os fatores podiam ser selecionados simultaneamente.

Quando questionadas sobre segurança, seis das sete participantes (85,7%) disseram sentir-se apenas parcialmente seguras por serem mulheres em Rondônia. Em relação às oportunidades e aos recursos oferecidos pelos partidos durante as eleições, quatro avaliaram que há igualdade apenas parcial e duas consideraram que ela não existe. Apenas uma respondeu que mulheres e homens recebem as mesmas oportunidades e recursos.

O levantamento tem caráter exploratório e não representa o conjunto das mulheres eleitas no estado. As respostas oferecem, contudo, um recorte das percepções dessas sete participantes sobre segurança, discriminação e desigualdade nas condições de participação política.

A disputa também acontece dentro dos partidos

A baixa representação feminina não se explica por um único fator. As condições de financiamento, o apoio partidário e as oportunidades oferecidas às candidatas também influenciam suas possibilidades de disputar eleições e conquistar mandatos.

Para Maria Vitória Araújo, analista política e especialista em Poder Legislativo na BMJ Consultoria, ampliar a participação feminina exige que os partidos criem condições reais para que as mulheres disputem eleições, com acesso a recursos e estrutura de campanha.

“A presença de mulheres em diferentes campos ideológicos também demonstra que a discussão não pertence a um único espectro político. O desafio é garantir condições de participação para candidatas com diferentes propostas e posicionamentos. A violência política de gênero pode agravar esse cenário quando é utilizada para intimidar, desqualificar ou dificultar a atuação de uma mulher. Não é a única barreira à representação feminina, mas pode comprometer as condições para disputar uma eleição e exercer um mandato.”

Nas redes sociais, a voz ganha alcance — e fica mais exposta

As redes sociais abriram novos caminhos para a participação política feminina. Por meio delas, candidatas e parlamentares podem apresentar suas ideias, construir uma comunicação direta com o eleitorado e mobilizar apoiadoras sem depender exclusivamente dos canais tradicionais dos partidos.

Ao mesmo tempo, a exposição amplia os riscos de ataques, ameaças e difamação. Para o jornalista político Daivid Lira, os dois fenômenos acontecem simultaneamente.

“A internet democratizou o acesso à comunicação política, permitiu que as mulheres conquistassem essa visibilidade no campo político e também construíssem as suas próprias narrativas e participassem de debates dos quais elas sempre tiveram menos espaço. Atualmente, mulheres conservadoras e progressistas utilizam as plataformas digitais para fortalecer suas identidades políticas, divulgar pautas e mobilizar apoiadoras. Mas a possibilidade de falar diretamente com o público também vem acompanhada de riscos de ataques, ameaças, difamação e a violência política de gênero”, afirma.

Denunciar ainda é um desafio

A juíza do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), Letícia Botelho, destaca que a efetividade da legislação sobre violência política de gênero ainda está em processo de consolidação. A aplicação das normas depende de informação, acesso aos canais de denúncia, investigação e atuação coordenada das instituições.

No âmbito eleitoral, a Ouvidoria da Mulher é um dos canais que podem contribuir para acolher manifestações e orientar mulheres que enfrentam situações de violência ou discriminação. A preservação de provas também pode ser importante para o encaminhamento de cada caso.

Glauco Maldonado Martins informou que, até a data da entrevista, o MPRO havia recebido três relatos de crimes de violência política de gênero durante o período eleitoral de 2026. O número corresponde aos registros recebidos até aquele momento, não a um balanço definitivo de todos os casos ocorridos em Rondônia.

O silêncio das vítimas, o desconhecimento sobre a legislação e as dificuldades para formalizar uma denúncia também podem influenciar os registros. Por isso, a quantidade de relatos recebidos não permite, isoladamente, dimensionar a ocorrência desse tipo de violência.

A advogada Valentina Franco, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB e fundadora da Associação Humanitária Gerar Empreender e Valorizar, relata que já recebeu mulheres pré-candidatas e eleitas que afirmaram ter sofrido violência política. Em sua avaliação, o medo de retaliação e de isolamento dentro do ambiente político pode dificultar a procura por ajuda.

Valentina também aponta dificuldades para demonstrar determinadas condutas, especialmente quando envolvem violência simbólica ou psicológica. A análise, segundo ela, precisa considerar elementos como a divulgação de mensagens, a distribuição de recursos, a participação efetiva na campanha e as circunstâncias em que os ataques ocorreram.

A advogada defende que as instituições atuem na apuração dos fatos e na reunião de provas, sem presumir irregularidades apenas porque uma candidatura feminina recebeu poucos votos ou teve pouca visibilidade. A responsabilização deve depender de elementos concretos, e não de conclusões automáticas.

O que os levantamentos conseguem mostrar

O Monitor de Violência Política de Gênero e Raça 2025, do Instituto Alziras, identificou 62 ações penais eleitorais em sua base mapeada no período de 2021 a 2025, sendo uma relacionada a Rondônia. Os casos identificados correspondem à base consultada pelo monitor e não representam necessariamente o universo completo de ocorrências no país.

O relatório também aponta dificuldades para acompanhar a tramitação dos processos e a ausência de fluxos padronizados entre as instituições. Esses obstáculos dificultam a compreensão do percurso das denúncias, desde o registro inicial até os possíveis desdobramentos judiciais.

A barreira invisível: o abismo entre o voto feminino e o poder político em Rondônia
Glauco Maldonado Martins, coordenador eleitoral do Ministério Público de Rondônia, explica como a violência simbólica pode se manifestar nas relações políticas. Imagem: Ingrid Valerie.

Para enfrentar o problema, o MPRO desenvolve ações de conscientização sobre a violência política de gênero. O órgão promove uma campanha com peças em outdoors, busdoors, rádio, televisão e redes sociais, buscando ampliar o conhecimento da população sobre o tema e orientar mulheres sobre a importância de reconhecer e denunciar situações de violência.

O Ministério Público Eleitoral também conta com um grupo de trabalho nacional voltado à prevenção e ao enfrentamento desse tipo de violência, criado em 2021. Em setembro de 2026, o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral firmaram um protocolo de cooperação relacionado ao tema.

Quem vivenciar ou tiver conhecimento de uma possível situação de violência política de gênero pode procurar os canais oficiais do Ministério Público. No MPRO, é possível registrar manifestações pelo formulário disponível no site institucional ou entrar em contato com a Ouvidoria pelo telefone 127. Mensagens, áudios, vídeos, links e outros registros podem ajudar a documentar os fatos e devem ser preservados, quando possível.

Da violência à busca por justiça: o papel da rede de proteção

Dois dias antes da eleição municipal de 2024, quando era candidata a vice-prefeita de Porto Velho, Liliane viveu uma das experiências mais dolorosas de sua vida. Ela relata ter sido vítima de estupro após uma reunião de apoio a um candidato.

Apesar de o episódio ter ocorrido durante a campanha eleitoral, a denúncia não foi acolhida como violência política de gênero. Segundo Liliane, o caso foi tratado na esfera da violência doméstica e o processo seguiu por esse caminho.

A barreira invisível: o abismo entre o voto feminino e o poder político em Rondônia
Liliane Rodrigues tornou pública a denúncia de violência sexual sofrida durante o período eleitoral de 2024. Imagem: Reprodução Instagram.

Mesmo profundamente abalada, Liliane decidiu denunciar. Quatro amigas a acompanharam durante todo o percurso. Depois, ela também recebeu apoio da Rede Lilás, do Ministério Público, de movimentos feministas e de outras organizações. A experiência evidencia a importância de uma rede de apoio para mulheres que decidem denunciar uma violência.

Ao tornar o caso público, Liliane relata ter enfrentado descredibilização, ameaças e julgamentos. Segundo ela, o agressor foi condenado e está preso. Mesmo após a condenação, a proteção continua necessária: a Patrulha Maria da Penha acompanha o cumprimento de sua medida protetiva.

A experiência também motivou uma reflexão sobre o atendimento oferecido às vítimas. Liliane defende a criação de um espaço especializado que reúna atendimento médico, apoio psicológico, medicação, exame de corpo de delito e orientação jurídica. Para ela, as mulheres precisam encontrar acolhimento e segurança sem ter de percorrer diferentes serviços em um momento de extrema vulnerabilidade.

Sua história não é apresentada como um caso comprovado de violência política de gênero, mas ajuda a compreender outra dimensão do enfrentamento à violência contra as mulheres: a necessidade de uma rede de proteção acessível, articulada e capaz de acompanhar as vítimas para além da denúncia.

Prevenção, acolhimento e proteção: as outras frentes do MPRO

O enfrentamento à violência contra as mulheres envolve diferentes etapas, da prevenção ao atendimento das vítimas e à responsabilização dos agressores. Em Rondônia, o Ministério Público desenvolve iniciativas que buscam ampliar o acesso à informação e fortalecer a rede de proteção.

Entre as iniciativas estão o MP – Mulher Protegida, a Sala Lilás, o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NAVIT), o projeto Maria da Penha Vai à Escola e a Ouvidoria das Mulheres.

Embora não sejam todos mecanismos específicos de combate à violência política de gênero, essas iniciativas integram a rede mais ampla de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres.

Entre o direito de votar e o direito de exercer o poder

A trajetória de Liliane mostra que, depois da violência, a busca por justiça também exige coragem para enfrentar o julgamento, a desconfiança e as tentativas de descredibilização. Na política, mulheres que denunciam ataques ou questionam as estruturas de poder podem encontrar barreiras semelhantes para serem ouvidas e respeitadas. São experiências distintas, que exigem respostas específicas, mas que colocam em evidência a importância de instituições capazes de acolher, apurar e proteger.

A liberdade das mulheres não pode depender da capacidade individual de suportar a violência ou de reunir forças para enfrentá-la. Precisa ser assegurada por uma rede de proteção que funcione, por mecanismos de responsabilização efetivos e por condições para que meninas e mulheres conheçam e exerçam seus direitos.

No campo político, essa garantia tem um significado particular: a democracia não pode admitir que o gênero de uma pessoa determine o custo de sua participação. Enquanto mulheres precisarem enfrentar obstáculos impostos por serem mulheres para disputar eleições, exercer mandatos ou fazer valer suas decisões, a igualdade de direitos continuará distante da igualdade vivida.

Uma sociedade livre de todas as formas de violência contra meninas e mulheres não se mede apenas pelos direitos que reconhece, mas pelas condições concretas para que esses direitos sejam exercidos. Na política, isso significa que a participação feminina não pode ser apenas formal: precisa ocorrer com liberdade, segurança e igualdade de condições.

Rondoniagora.com

FonteVia: rondoniagora

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Furacão de ofertas no Supermercado Tradição, válido de 21 a 24 de Outubro

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O Supermercado Tradição, em Alta Floresta d’Oeste (RO), preparou mais uma edição do tradicional Quartão da Economia, que acontece nesta quarta-feira, dia 14 de outubro, trazendo ofertas especiais e preços atrativos para os consumidores.

A campanha promete movimentar as duas unidades do supermercado, oferecendo aos clientes a oportunidade de abastecer a despensa, garantir produtos para o dia a dia e aproveitar preços que cabem no bolso.

Com o compromisso de oferecer qualidade, variedade e economia, o Supermercado Tradição reforça seu objetivo de proporcionar vantagens para as famílias de Alta Floresta d’Oeste e região.

As ofertas do Quartão da Economia serão válidas nas duas unidades do Supermercado Tradição:

  • 📍 Unidade Avenida Brasil
  • 📍 Unidade Avenida Rondônia

A direção do supermercado convida toda a população a aproveitar a promoção nesta quarta-feira e conferir de perto as oportunidades de economia.

É nesta quarta-feira, 14 de outubro! Chegou o Quartão da Economia do Supermercado Tradição!

Supermercado Tradição — Economia todos os dias!

Fonte: Via: florestanoticias

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A Funerária Bom Pastor comunica o falecimento de Oliene Rosa de Souza

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É com pesar que a Funerária Alta Floresta comunica o falecimento do Senhor Renato Correia Carrafa, aos 67 anos de idade, ocorrido em 20/10, seu corpo será velado na Capela da Funerária do seu Valdemar, a partir das 22:00 e o seu sepultamento será amanhã 21/10 as 15:00 horas no cemitério local de Alta Floresta.

Nossos sentimentos aos Familiares e Amigos.

E desde já a família enlutada agradece a presença de todos.

Fonte: Florestanoticias.com

Fonte: Via: florestanoticias

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