A movimentação logística do comércio eletrônico mudou o mapa de Rondônia nos últimos dois anos. Pela primeira vez na série histórica do Mapa da Logística, divulgado pela Loggi em 2025, o estado entrou no grupo dos dez que mais recebem encomendas no Brasil.
O dado marca uma virada estrutural: o consumidor rondoniense, antes restrito ao varejo físico das principais cidades, hoje compra praticamente qualquer produto pela internet, com tempos de entrega cada vez menores.
A escala da transformação aparece também nos dados oficiais do governo estadual. Segundo o Relatório Semanal de Dados do Desenvolvimento Econômico de março de 2025, produzido pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico de Rondônia, com apoio da Secretaria de Estado de Finanças, o comércio rondoniense fechou 2024 com aumento de 20% no faturamento em relação ao ano anterior. A indústria cresceu 19%, e a agropecuária bateu R$ 18 bilhões, alta de 13%.
Por trás dessa expansão, há um movimento silencioso que muda a forma como o pequeno comerciante de Alta Floresta D’Oeste, Rolim de Moura ou Cacoal disputa a atenção do consumidor: a compra começa no Google, não na vitrine. E é exatamente aí que a maioria dos negócios locais tem perdido espaço.
O consumidor da Zona da Mata já comprou três vezes antes de entrar numa loja física
Pesquisas de comportamento de consumo no varejo brasileiro mostram que mais da metade das decisões de compra hoje passam por uma busca prévia na internet.
Quando o consumidor digita o nome de um produto, de um serviço ou de uma categoria, ele recebe duas categorias de resultado: os anúncios pagos, marcados como tal, e os resultados orgânicos, considerados mais confiáveis pelo próprio usuário.
A diferença de peso entre os dois é significativa. Levantamentos do mercado de busca apontam que cerca de 53% de todo o tráfego recebido pelos sites comerciais vem de resultados orgânicos do Google.
E, quando o usuário olha para a tela de resultados, os links naturais concentram 94% dos cliques, deixando apenas 6% para os anúncios visíveis no topo da página. O dado mostra por que muitas empresas que investem somente em mídia paga sentem o resultado cair no momento em que a campanha é desligada.
A consequência prática é direta. O empresário que aparece bem nas buscas por produtos e serviços da sua cidade recebe um fluxo constante de visitantes sem precisar pagar por cada clique.
O que aparece somente nos anúncios pagos, ao contrário, vê o tráfego desaparecer no exato momento em que o orçamento de mídia é interrompido.
O recorde de empresas abertas e a fila digital
Rondônia registrou um marco em 2026: mais de 11 mil empresas abertas apenas no primeiro trimestre do ano, número considerado recorde histórico pela Junta Comercial do Estado.
A digitalização dos processos cartoriais e a redução de custos de abertura, que caíram de uma média de R$ 5.099 para R$ 388 nos municípios de maior movimento, ampliaram o ritmo de formalização.
O problema é que abrir uma empresa é apenas o começo. A fila de competidores que disputam o mesmo consumidor cresceu na mesma proporção. Em segmentos sensíveis como moda, alimentação, beleza, materiais de construção, suplementos e serviços profissionais, o lojista de Cacoal não disputa mais apenas com o vizinho de rua.
Ele disputa com lojas virtuais de Porto Velho, Cuiabá, Goiânia, São Paulo e, em vários casos, com plataformas internacionais que entregam em todo o estado.
Quem aparece primeiro nos resultados do Google leva a venda. Quem aparece na segunda página, na prática, não existe para o consumidor.
Por que os pequenos negócios de Rondônia não aparecem
A invisibilidade digital tem causas conhecidas, mas pouco enfrentadas pelos pequenos varejistas do estado. A primeira é estrutural: a maioria dos sites de comércio local foi montada para parecer profissional, não para ser encontrado pelo Google.
Página de abertura bonita, fotos boas, mas sem o trabalho técnico que faz o site competir nas buscas, como otimização de palavras-chave, velocidade de carregamento adequada e estrutura interna de links.
A segunda causa é a falta de autoridade do domínio. O Google trata cada site como uma entidade com reputação, e essa reputação se constrói, em grande parte, a partir de quantos outros sites de qualidade o citam por meio de links.
Esses links externos, chamados de backlinks, funcionam como votos de confiança que outros sites dão para o seu. Quanto mais relevantes esses sites forem, maior é o peso do voto.
Para o pequeno e médio empresário que está construindo presença digital, vale entender desde cedo como funcionam os backlinks brasileiros que efetivamente movem o ponteiro do posicionamento.
Não é qualquer link que ajuda. Links em sites sem credibilidade, sem público real ou em portais punidos pelo Google podem ter o efeito contrário e prejudicar o domínio.
A terceira causa é cultural. O empresário do interior de Rondônia, em geral, foi formado em um ambiente onde investimento em marketing significava panfleto, rádio, fachada e outdoor.
A migração para o digital ainda é encarada como despesa, e não como ativo. O resultado prático é que o concorrente que entendeu o jogo antes leva o cliente, mesmo estando a centenas de quilômetros de distância.
O custo de ignorar a busca orgânica em um mercado em alta
A escolha entre tráfego pago e tráfego orgânico não é uma decisão de gosto. É uma decisão de modelo de negócio. Campanhas pagas geram visitas no mesmo dia em que são ativadas, o que torna o canal atraente para quem precisa de resultado imediato.
O problema aparece a partir do segundo ou terceiro ano de operação, quando o custo por clique sobe, a concorrência aumenta e a empresa percebe que continua dependente da mesma planilha de mídia paga, sem ter construído nenhum ativo próprio.
Pesquisas do setor mostram que 49% das empresas reconhecem a busca orgânica como o canal com melhor retorno sobre investimento em prazos mais longos. No segmento B2B, onde os ciclos de decisão são extensos e a confiança do comprador pesa, esse índice chega a 59%.
Mesmo assim, a alocação de orçamento ainda é desbalanceada: cerca de 72% do investimento em marketing digital vai para mídia paga, contra menos de 30% destinados ao orgânico.
Antes de definir onde colocar o investimento, vale entender em profundidade as diferenças e vantagens entre tráfego orgânico e pago. O equilíbrio entre os dois canais costuma definir não só o custo de aquisição de cliente, mas também a previsibilidade da receita ao longo dos anos.
Para Rondônia, onde o varejo cresce em ritmo acima da média nacional e o e-commerce começa a entrar de fato no estado, esse desequilíbrio cobra um preço alto.
Negócios que poderiam aparecer com regularidade nas buscas por produtos locais permanecem dependentes de campanhas pontuais, com pouca recorrência e custo crescente.
O que muda quando o pequeno negócio entra na busca
Em mercados regionais que já enfrentaram esse mesmo movimento de virada, como o interior paulista, a Serra Gaúcha e o Oeste Catarinense, a experiência mostra um padrão.
Os negócios que começaram cedo a estruturar conteúdo próprio, otimizar o site e construir uma rede consistente de citações em portais de notícias e veículos especializados conquistaram posição estável no Google em prazos de seis a doze meses. A partir desse ponto, o custo por venda cai e a receita orgânica se torna previsível.
Em Rondônia, o cenário ainda é favorável para quem se mover primeiro. A concorrência por palavras-chave locais é menor do que em estados do Sudeste, o que reduz o tempo necessário para conquistar boas posições.
Termos como “loja de roupas em Cacoal”, “móveis planejados Rolim de Moura”, “advogado Ji-Paraná” ou “consultório odontológico em Alta Floresta D’Oeste” ainda podem ser disputados com investimento moderado, desde que a estratégia combine produção de conteúdo útil, ajustes técnicos no site e construção de autoridade.
A janela, no entanto, tende a se fechar. À medida que mais empresas locais entendem o jogo e começam a investir em SEO, o custo de entrada sobe. Os primeiros a se posicionar geralmente mantêm a posição com investimento menor do que os que chegam depois.
O papel dos portais regionais nessa equação
A virada digital de Rondônia não acontece só pela ação dos comerciantes. Os portais regionais, que cobrem cidades como Cacoal, Rolim de Moura, Pimenta Bueno, Ji-Paraná e Alta Floresta D’Oeste, ganham um papel central no novo cenário.
Anderson Alves, CEO da QMIX Digital, agência referência em backlinks na capital de Goiás, explica que são esses veículos que ajudam a construir a presença digital do estado nas buscas, ao publicar conteúdo informativo e relevante para a economia local.
Para o consumidor, isso significa encontrar respostas qualificadas a uma distância de um clique. Para o pequeno empresário, abre uma janela de visibilidade que dificilmente conseguiria sozinho.
A combinação entre portais regionais ativos, comércio local crescente e infraestrutura logística em expansão coloca a Zona da Mata em uma posição rara no mapa do varejo brasileiro: a de uma região com tudo para crescer no digital, desde que aproveite o momento.
O que o pequeno empresário pode fazer agora
A primeira providência é entender em que estágio o próprio negócio está. Vale digitar no Google as palavras-chave que um cliente provavelmente usaria para encontrar o seu produto ou serviço na sua cidade. Se a empresa não aparece na primeira página, há trabalho a fazer.
A segunda é avaliar a qualidade do site. Velocidade, estrutura de páginas, presença de conteúdo útil, descrições de produtos bem escritas e dados de contato visíveis fazem parte da higiene básica. Sites lentos ou com falhas técnicas dificilmente sobem nos resultados, por melhor que seja o produto vendido.
A terceira é entender que o crescimento orgânico exige tempo. Os primeiros sinais aparecem entre três e seis meses, e os resultados sólidos costumam consolidar-se a partir do primeiro ano.
Para quem precisa de fluxo de caixa imediato, faz sentido combinar a estratégia orgânica com campanhas pagas pontuais, mas tratando o orgânico como o investimento que constrói o ativo de longo prazo.
A entrada de Rondônia na rota nacional do e-commerce não vai esperar. Os pacotes já chegam à Zona da Mata, o consumidor já compra pela internet e o varejo já cresce. A pergunta é se os comerciantes locais vão estar nos resultados quando a próxima busca acontecer.
A.C.S.M., moradora da zona rural de Porto Velho, decidiu procurar a polícia depois de, segundo seu relato, ser atingida nas costas com a perna de aço de uma mesa. Ela afirma que vivia um histórico de agressões físicas, ofensas e violência psicológica praticadas pelo companheiro, A.M.R. O caso aconteceu na manhã do última quinta-feira (20).
Os policiais que atenderam à ocorrência constataram lesões e deram voz de prisão a A.M.R. O caso foi registrado no Boletim de Ocorrência nº 00136617/2026.
Na delegacia, porém, o rumo da ocorrência mudou: A.C.S.M., que havia denunciado a agressão, também foi presa em flagrante.
De acordo com o Despacho nº 13952/2026, assinado pelo delegado Rodrigo Silva Duarte, houve agressões recíprocas e a mulher teria iniciado o confronto.
“Segundo apurado, os ex-companheiros teriam se agredido reciprocamente, e ambos ficaram lesionados. A.C.S.M. teria iniciado a discussão e ofendido e agredido A.M.R., que revidou. A.C.S.M. teria destruído bens de A.M.R., que representou por todos os crimes”, diz trecho do despacho.
O documento policial trata os envolvidos como ex-companheiros, enquanto o boletim de ocorrência, segundo a defesa, registrava que eles mantinham uma relação. A.C.S.M. sustenta que estava cansada de apanhar e ser constantemente xingada pelo marido.
Advogada questiona prisão
A organização Advocacia Feminina de Recomeços foi acionada e assumiu a defesa da vítima. A advogada Aline Leon conseguiu a soltura da mulher, que foi encaminhada para um local seguro.
Segundo Aline, o alvará de soltura foi expedido quando A.C.S.M. já se encontrava na audiência de custódia.
“Quando ela já estava na audiência de custódia, saiu o alvará de soltura. Eu até comentei: ‘Saiu? Milagrosamente?’”, relatou.
A advogada classificou a atuação do delegado como uma demonstração de “misoginia e machismo estrutural” e anunciou que o caso será levado aos órgãos de controle.
“Na segunda-feira, vamos formalizar uma denúncia na Corregedoria da Polícia Civil e também no Ministério Público”, afirmou.
A versão apresentada no despacho policial sustenta que os dois ficaram feridos, que A.C.S.M. iniciou as agressões e que A.M.R. apenas teria revidado. Essas circunstâncias deverão ser apuradas durante a investigação. Até eventual condenação definitiva, todos os envolvidos são considerados inocentes.
Denúncia ao MPF cobra políticas para as mulheres
O caso ocorre no momento em que a Advocacia Feminina de Recomeços leva ao Ministério Público Federal uma denúncia sobre a falta de estrutura e de investimentos efetivos no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas em Rondônia.
A representação, assinada pela advogada Aline Leon, aponta supostas omissões do Governo do Estado e de outros órgãos responsáveis pelas políticas de proteção.
O documento, com 13 páginas, pede que o MPF fiscalize a aplicação dos recursos públicos e cobre a criação de delegacias especializadas com funcionamento 24 horas, uma Secretaria Estadual da Mulher e comitês permanentes de enfrentamento à violência de gênero.
Também são questionadas a falta de casas de acolhimento, as dificuldades para obtenção de atendimento psicológico e jurídico e a necessidade de capacitação contínua de policiais, profissionais da saúde, servidores, advogados, promotores e magistrados.
Para a organização, a prisão de A.C.S.M. demonstra o risco de revitimização: quando uma mulher procura ajuda depois de sofrer violência, mas acaba desacreditada, constrangida ou submetida a uma nova forma de violência dentro das próprias instituições responsáveis por protegê-la.
Apenas R$ 6 mil teriam sido aplicados
Segundo a denúncia, com base em dados atribuídos a relatório do Tribunal de Contas do Estado, Rondônia dispunha, no ano passado, de quase R$ 5 milhões para ações de enfrentamento à violência contra a mulher, mas teria executado somente cerca de R$ 6 mil.
A representação solicita uma auditoria urgente e a apresentação, pelo Governo de Rondônia, de um relatório detalhado sobre os recursos disponíveis, os valores efetivamente aplicados, as ações realizadas e os resultados alcançados.
Outro ponto questionado é a destinação de R$ 2,5 milhões prevista na Lei Orçamentária Anual de 2024 para o fortalecimento das políticas estaduais de proteção às mulheres. A denúncia alega que faltam transparência e informações públicas que permitam acompanhar a execução do dinheiro.
Violência que começa antes do nascimento
A representação também relaciona a ausência de políticas adequadas de proteção aos graves indicadores de mortalidade materna e infantil registrados em Rondônia.
Segundo os dados citados na denúncia, a mortalidade infantil estaria próxima de 17 mortes para cada mil crianças nascidas vivas. O documento também aponta concentração dos leitos de UTI neonatal em Porto Velho, obrigando recém-nascidos em estado grave e suas famílias a enfrentar deslocamentos de centenas de quilômetros.
Para a entidade, poucas violências são tão cruéis quanto uma mãe perder um filho por falta de estrutura que o poder público tinha o dever de oferecer.
Pedidos apresentados ao MPF
A denúncia requer seis providências principais:
Realização periódica de audiências públicas nos municípios;
Fiscalização dos recursos destinados às políticas de proteção;
Intervenção do MPF no acompanhamento das ações estaduais;
Auditoria e divulgação de relatório detalhado sobre as despesas;
Criação de delegacias especializadas 24 horas e de uma Secretaria da Mulher;
Implantação de comitês permanentes de enfrentamento à violência de gênero.
O documento também questiona o funcionamento do aplicativo Mulher Protegida, que, segundo a denúncia, teria alcance limitado, pouca divulgação e restrição de acesso para mulheres que não utilizam aparelhos com sistema Android.
A.C.S.M., moradora da zona rural de Porto Velho, decidiu procurar a polícia depois de, segundo seu relato, ser atingida nas costas com a perna de aço de uma mesa. Ela afirma que vivia um histórico de agressões físicas, ofensas e violência psicológica praticadas pelo companheiro, A.M.R. O caso aconteceu na manhã do última quinta-feira (20).
Os policiais que atenderam à ocorrência constataram lesões e deram voz de prisão a A.M.R. O caso foi registrado no Boletim de Ocorrência nº 00136617/2026.
Na delegacia, porém, o rumo da ocorrência mudou: A.C.S.M., que havia denunciado a agressão, também foi presa em flagrante.
De acordo com o Despacho nº 13952/2026, assinado pelo delegado Rodrigo Silva Duarte, houve agressões recíprocas e a mulher teria iniciado o confronto.
“Segundo apurado, os ex-companheiros teriam se agredido reciprocamente, e ambos ficaram lesionados. A.C.S.M. teria iniciado a discussão e ofendido e agredido A.M.R., que revidou. A.C.S.M. teria destruído bens de A.M.R., que representou por todos os crimes”, diz trecho do despacho.
O documento policial trata os envolvidos como ex-companheiros, enquanto o boletim de ocorrência, segundo a defesa, registrava que eles mantinham uma relação. A.C.S.M. sustenta que estava cansada de apanhar e ser constantemente xingada pelo marido.
Advogada questiona prisão
A organização Advocacia Feminina de Recomeços foi acionada e assumiu a defesa da vítima. A advogada Aline Leon conseguiu a soltura da mulher, que foi encaminhada para um local seguro.
Segundo Aline, o alvará de soltura foi expedido quando A.C.S.M. já se encontrava na audiência de custódia.
“Quando ela já estava na audiência de custódia, saiu o alvará de soltura. Eu até comentei: ‘Saiu? Milagrosamente?’”, relatou.
A advogada classificou a atuação do delegado como uma demonstração de “misoginia e machismo estrutural” e anunciou que o caso será levado aos órgãos de controle.
“Na segunda-feira, vamos formalizar uma denúncia na Corregedoria da Polícia Civil e também no Ministério Público”, afirmou.
A versão apresentada no despacho policial sustenta que os dois ficaram feridos, que A.C.S.M. iniciou as agressões e que A.M.R. apenas teria revidado. Essas circunstâncias deverão ser apuradas durante a investigação. Até eventual condenação definitiva, todos os envolvidos são considerados inocentes.
Denúncia ao MPF cobra políticas para as mulheres
O caso ocorre no momento em que a Advocacia Feminina de Recomeços leva ao Ministério Público Federal uma denúncia sobre a falta de estrutura e de investimentos efetivos no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas em Rondônia.
A representação, assinada pela advogada Aline Leon, aponta supostas omissões do Governo do Estado e de outros órgãos responsáveis pelas políticas de proteção.
O documento, com 13 páginas, pede que o MPF fiscalize a aplicação dos recursos públicos e cobre a criação de delegacias especializadas com funcionamento 24 horas, uma Secretaria Estadual da Mulher e comitês permanentes de enfrentamento à violência de gênero.
Também são questionadas a falta de casas de acolhimento, as dificuldades para obtenção de atendimento psicológico e jurídico e a necessidade de capacitação contínua de policiais, profissionais da saúde, servidores, advogados, promotores e magistrados.
Para a organização, a prisão de A.C.S.M. demonstra o risco de revitimização: quando uma mulher procura ajuda depois de sofrer violência, mas acaba desacreditada, constrangida ou submetida a uma nova forma de violência dentro das próprias instituições responsáveis por protegê-la.
Apenas R$ 6 mil teriam sido aplicados
Segundo a denúncia, com base em dados atribuídos a relatório do Tribunal de Contas do Estado, Rondônia dispunha, no ano passado, de quase R$ 5 milhões para ações de enfrentamento à violência contra a mulher, mas teria executado somente cerca de R$ 6 mil.
A representação solicita uma auditoria urgente e a apresentação, pelo Governo de Rondônia, de um relatório detalhado sobre os recursos disponíveis, os valores efetivamente aplicados, as ações realizadas e os resultados alcançados.
Outro ponto questionado é a destinação de R$ 2,5 milhões prevista na Lei Orçamentária Anual de 2024 para o fortalecimento das políticas estaduais de proteção às mulheres. A denúncia alega que faltam transparência e informações públicas que permitam acompanhar a execução do dinheiro.
Violência que começa antes do nascimento
A representação também relaciona a ausência de políticas adequadas de proteção aos graves indicadores de mortalidade materna e infantil registrados em Rondônia.
Segundo os dados citados na denúncia, a mortalidade infantil estaria próxima de 17 mortes para cada mil crianças nascidas vivas. O documento também aponta concentração dos leitos de UTI neonatal em Porto Velho, obrigando recém-nascidos em estado grave e suas famílias a enfrentar deslocamentos de centenas de quilômetros.
Para a entidade, poucas violências são tão cruéis quanto uma mãe perder um filho por falta de estrutura que o poder público tinha o dever de oferecer.
Pedidos apresentados ao MPF
A denúncia requer seis providências principais:
Realização periódica de audiências públicas nos municípios;
Fiscalização dos recursos destinados às políticas de proteção;
Intervenção do MPF no acompanhamento das ações estaduais;
Auditoria e divulgação de relatório detalhado sobre as despesas;
Criação de delegacias especializadas 24 horas e de uma Secretaria da Mulher;
Implantação de comitês permanentes de enfrentamento à violência de gênero.
O documento também questiona o funcionamento do aplicativo Mulher Protegida, que, segundo a denúncia, teria alcance limitado, pouca divulgação e restrição de acesso para mulheres que não utilizam aparelhos com sistema Android.
A.C.S.M., moradora da zona rural de Porto Velho, decidiu procurar a polícia depois de, segundo seu relato, ser atingida nas costas com a perna de aço de uma mesa. Ela afirma que vivia um histórico de agressões físicas, ofensas e violência psicológica praticadas pelo companheiro, A.M.R. O caso aconteceu na manhã do última quinta-feira (20).
Os policiais que atenderam à ocorrência constataram lesões e deram voz de prisão a A.M.R. O caso foi registrado no Boletim de Ocorrência nº 00136617/2026.
Na delegacia, porém, o rumo da ocorrência mudou: A.C.S.M., que havia denunciado a agressão, também foi presa em flagrante.
De acordo com o Despacho nº 13952/2026, assinado pelo delegado Rodrigo Silva Duarte, houve agressões recíprocas e a mulher teria iniciado o confronto.
“Segundo apurado, os ex-companheiros teriam se agredido reciprocamente, e ambos ficaram lesionados. A.C.S.M. teria iniciado a discussão e ofendido e agredido A.M.R., que revidou. A.C.S.M. teria destruído bens de A.M.R., que representou por todos os crimes”, diz trecho do despacho.
O documento policial trata os envolvidos como ex-companheiros, enquanto o boletim de ocorrência, segundo a defesa, registrava que eles mantinham uma relação. A.C.S.M. sustenta que estava cansada de apanhar e ser constantemente xingada pelo marido.
Advogada questiona prisão
A organização Advocacia Feminina de Recomeços foi acionada e assumiu a defesa da vítima. A advogada Aline Leon conseguiu a soltura da mulher, que foi encaminhada para um local seguro.
Segundo Aline, o alvará de soltura foi expedido quando A.C.S.M. já se encontrava na audiência de custódia.
“Quando ela já estava na audiência de custódia, saiu o alvará de soltura. Eu até comentei: ‘Saiu? Milagrosamente?’”, relatou.
A advogada classificou a atuação do delegado como uma demonstração de “misoginia e machismo estrutural” e anunciou que o caso será levado aos órgãos de controle.
“Na segunda-feira, vamos formalizar uma denúncia na Corregedoria da Polícia Civil e também no Ministério Público”, afirmou.
A versão apresentada no despacho policial sustenta que os dois ficaram feridos, que A.C.S.M. iniciou as agressões e que A.M.R. apenas teria revidado. Essas circunstâncias deverão ser apuradas durante a investigação. Até eventual condenação definitiva, todos os envolvidos são considerados inocentes.
Denúncia ao MPF cobra políticas para as mulheres
O caso ocorre no momento em que a Advocacia Feminina de Recomeços leva ao Ministério Público Federal uma denúncia sobre a falta de estrutura e de investimentos efetivos no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas em Rondônia.
A representação, assinada pela advogada Aline Leon, aponta supostas omissões do Governo do Estado e de outros órgãos responsáveis pelas políticas de proteção.
O documento, com 13 páginas, pede que o MPF fiscalize a aplicação dos recursos públicos e cobre a criação de delegacias especializadas com funcionamento 24 horas, uma Secretaria Estadual da Mulher e comitês permanentes de enfrentamento à violência de gênero.
Também são questionadas a falta de casas de acolhimento, as dificuldades para obtenção de atendimento psicológico e jurídico e a necessidade de capacitação contínua de policiais, profissionais da saúde, servidores, advogados, promotores e magistrados.
Para a organização, a prisão de A.C.S.M. demonstra o risco de revitimização: quando uma mulher procura ajuda depois de sofrer violência, mas acaba desacreditada, constrangida ou submetida a uma nova forma de violência dentro das próprias instituições responsáveis por protegê-la.
Apenas R$ 6 mil teriam sido aplicados
Segundo a denúncia, com base em dados atribuídos a relatório do Tribunal de Contas do Estado, Rondônia dispunha, no ano passado, de quase R$ 5 milhões para ações de enfrentamento à violência contra a mulher, mas teria executado somente cerca de R$ 6 mil.
A representação solicita uma auditoria urgente e a apresentação, pelo Governo de Rondônia, de um relatório detalhado sobre os recursos disponíveis, os valores efetivamente aplicados, as ações realizadas e os resultados alcançados.
Outro ponto questionado é a destinação de R$ 2,5 milhões prevista na Lei Orçamentária Anual de 2024 para o fortalecimento das políticas estaduais de proteção às mulheres. A denúncia alega que faltam transparência e informações públicas que permitam acompanhar a execução do dinheiro.
Violência que começa antes do nascimento
A representação também relaciona a ausência de políticas adequadas de proteção aos graves indicadores de mortalidade materna e infantil registrados em Rondônia.
Segundo os dados citados na denúncia, a mortalidade infantil estaria próxima de 17 mortes para cada mil crianças nascidas vivas. O documento também aponta concentração dos leitos de UTI neonatal em Porto Velho, obrigando recém-nascidos em estado grave e suas famílias a enfrentar deslocamentos de centenas de quilômetros.
Para a entidade, poucas violências são tão cruéis quanto uma mãe perder um filho por falta de estrutura que o poder público tinha o dever de oferecer.
Pedidos apresentados ao MPF
A denúncia requer seis providências principais:
Realização periódica de audiências públicas nos municípios;
Fiscalização dos recursos destinados às políticas de proteção;
Intervenção do MPF no acompanhamento das ações estaduais;
Auditoria e divulgação de relatório detalhado sobre as despesas;
Criação de delegacias especializadas 24 horas e de uma Secretaria da Mulher;
Implantação de comitês permanentes de enfrentamento à violência de gênero.
O documento também questiona o funcionamento do aplicativo Mulher Protegida, que, segundo a denúncia, teria alcance limitado, pouca divulgação e restrição de acesso para mulheres que não utilizam aparelhos com sistema Android.
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