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PRF intercepta dupla com 18,5 kg de cocaína; um é preso e outro foge – Polícia – WEB TV ALTERNATIVA

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Da sala de aula à comunidade indígena, a parceria entre Favoo e Sicoob Credisul mostra como a intercooperação transforma sonhos individuais em desenvolvimento coletivo e cria um legado que atravessa gerações.

Iliandro Sabanê, acadêmico do curso de Direito da Faculdade Favoo. (Foto: Arquivo Pessoal)

A cerca de 70 quilômetros do centro urbano de Vilhena, uma estrada de terra corta a floresta que dá acesso ao Parque Indígena Aripuanã. É ali, às margens do histórico Rio Roosevelt, que fica a comunidade Sowaintê, onde vivem famílias da etnia Sabanê que ainda preservam tradições passadas de geração em geração. Foi nesse cenário que Iliandro Sabanê alimentou, durante anos, um sonho que parecia distante da realidade: cursar Direito.

A mensalidade de uma faculdade particular era alta demais. A universidade pública nunca ofereceu o curso como ele esperava e, aos poucos, aquele desejo foi ficando adormecido. A reviravolta aconteceu de forma inesperada, na tela de um celular. Uma publicação anunciava bolsas integrais para estudantes indígenas na Escola e Faculdade Favoo. Iliandro não deixou a oportunidade passar. No último dia do prazo, enviou a inscrição.

“Por um momento eu senti que aquilo era meu. Finalmente havia chegado a hora de viver aquilo que eu sempre sonhei.”

Enquanto Iliandro atravessava os portões da Favoo pela primeira vez, João Henrique Araújo já conhecia cada um daqueles corredores. Aos 22 anos, ele pertence à primeira geração de estudantes que cresceu dentro da cooperativa. Entrou na instituição aos três anos de idade, passou pela Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e hoje também cursa Direito.

Embora tenham percorrido caminhos completamente diferentes, os dois fazem parte da mesma história.

Quando a solução virou cooperativa

A história que hoje une João e Iliandro começou muito antes de ambos chegarem à faculdade. Em 2006, um grupo de 21 famílias decidiu transformar uma preocupação comum em um projeto coletivo. A maioria havia escolhido Rondônia para construir uma nova vida, mas carregava a mesma inquietação: como oferecer aos filhos uma educação de qualidade sem precisar enviá-los para estudar nos grandes centros do país?

A resposta não veio de uma escola pronta. Precisou ser construída.

“Nós optamos por morar em Rondônia,e queríamos que nossos filhos tivessem uma educação com a mesma qualidade daquelas crianças que estudavam nas capitais”, relembra Carolina Navarro Torres, presidente da Escola e Faculdade Favoo e uma das fundadoras da cooperativa.

A busca levou o grupo até uma pequena escola que encerrava as atividades. O espaço foi arrendado, os alunos permaneceram e, pouco a pouco, nasceu um projeto educacional diferente de tudo o que existia na região.

Em vez de abrir uma escola privada convencional, aquelas famílias decidiram criar uma cooperativa e desde o primeiro dia, ficou estabelecido que nenhuma sobra financeira seria distribuída entre os cooperados. Todo o resultado retornaria para a própria escola, investido em infraestrutura, tecnologia, capacitação de professores e melhoria permanente da qualidade do ensino.

Assembleia de Fundação da Favoo, Cooperativa Educacional de Vilhena em 2006

Mais do que um modelo de gestão, era uma forma de garantir que a educação permanecesse no centro de todas as decisões. Carolina acredita que a essência da Favoo continua resumida na mesma inquietação que motivou seus fundadores.

“O seu maior propósito mora na sua indignação. Se o seu filho tem uma educação pior do que a que você teve, você não está evoluindo na vida.”

Quase vinte anos depois, aquele pequeno projeto tornou-se uma referência educacional. Hoje, a Favoo reúne mais de 1.100 estudantes e acompanha crianças desde os dois anos de idade até a pós-graduação, com cursos de MBA e formação continuada. Os cursos de Administração, Ciências Contábeis e Direito possuem nota máxima no Ministério da Educação, enquanto a escola lidera os resultados do Enem em Rondônia desde 2019.

Para João Henrique, que acompanhou esse crescimento desde a infância, a principal transformação aconteceu muito além da sala de aula.

“Os princípios do cooperativismo acabaram ficando enraizados na minha forma de viver. É algo que levo para as minhas relações pessoais e profissionais.”

Os indicadores ajudam a explicar o sucesso da Favoo. Mas, para seus fundadores, o maior resultado nunca esteve apenas nos números. Estava nas pessoas que aquele projeto ainda seria capaz de alcançar. 

Quando cooperativas decidiram cooperar

À medida que a Favoo consolidava sua proposta educacional, outra cooperativa também ampliava sua atuação em Rondônia.

Fundada em Vilhena e hoje reconhecida como a maior cooperativa de crédito da Região Norte, a Sicoob Credisul reúne mais de 140 mil cooperados, administra cerca de R$ 6,4 bilhões em ativos e está presente em Rondônia, Acre, Amazonas e Mato Grosso. Foi desse crescimento que surgiu a oportunidade de ampliar também o alcance da educação cooperativista.

Para Vilmar Saugo, um dos fundadores da Favoo e atual CEO da Sicoob Credisul, desenvolvimento econômico e desenvolvimento social nunca caminharam separados.

“Não existe desenvolvimento social sem desenvolvimento econômico. Não dá para construir hospitais, escolas ou transformar uma comunidade se a cooperativa não gerar resultados.”

Foi dessa visão que nasceu a intercooperação entre as duas cooperativas.

Inicialmente, a aproximação acontecia entre cooperados que também eram pais de alunos da Favoo. Com o passar dos anos, surgiu uma nova percepção.

“Nós entendemos que havíamos construído uma escola de qualidade e que poderíamos estender essa oportunidade aos filhos dos cooperados. Foi nesse momento que surgiu a intercooperação. Foi um ganho para os dois lados.”

Hoje, a Sicoob Credisul investe mais de R$1 milhão por ano em bolsas de estudo destinadas aos filhos de cooperados. Mais do que uma parceria institucional, a intercooperação criou um ciclo de desenvolvimento. A cooperativa de crédito amplia o acesso à educação. A escola forma profissionais. Muitos deles retornam para fortalecer o próprio cooperativismo e a economia da região. 

A Força da Intercooperação: Favoo e Sicoob Credisul transformam a educação e formam gerações no Cone Sul de Rondônia
Foto: Arquivo Institucional / Favoo

A parceria ganhou um novo capítulo em 2021, quando a Sicoob Credisul adquiriu o prédio da antiga Faculdade AVEC e o destinou, em regime de comodato, à Favoo. A iniciativa permitiu consolidar um campus próprio e ampliar um projeto que hoje acompanha estudantes desde a Educação Infantil até a graduação.

Mas, para Vilmar, o maior investimento nunca foi o prédio, foi nas pessoas.

“Nós entendemos que, se não formarmos nossos sucessores com educação de qualidade, estaremos condenando o nosso próprio negócio. Hoje temos inúmeros colaboradores e estagiários que vieram da Favoo. Eles chegam entendendo o propósito da cooperativa e trabalham com muito mais paixão.”

Formar pessoas para transformar comunidades

O modelo construído em Vilhena ultrapassou as fronteiras de Rondônia.

Hoje, a Favoo integra o Consórcio Internacional de Educação Empresarial Cooperativa (ICBEC), uma rede que reúne instituições dedicadas ao fortalecimento da educação cooperativista no mundo. A cooperativa participa da construção de referências curriculares para o ensino do cooperativismo em diferentes países.

Para Vilmar, esse reconhecimento internacional confirma que o modelo criado no interior da Amazônia responde a uma necessidade global.

“O mundo inteiro entende que ensinar educação financeira e cooperativismo desde o Maternal até o ensino superior é um caminho para formar pessoas melhores. É melhor cooperar do que competir.”

Essa formação acontece diariamente dentro da própria cooperativa. Além do currículo tradicional, crianças, adolescentes e universitários participam de cooperativas estudantis criadas pela instituição, desenvolvendo competências de liderança, responsabilidade, participação democrática e trabalho coletivo. No Hubee, hub de inovação mantido pela Favoo em parceria com a Sicoob Credisul, os estudantes criam soluções tecnológicas voltadas aos desafios da própria comunidade, aproximando educação, inovação e desenvolvimento regional.

O desenvolvimento que permanece

Para Iliandro, entretanto, o cooperativismo nunca foi um conceito completamente novo.

Ao conhecer os princípios ensinados na Favoo, ele percebeu que aquela lógica já fazia parte da vida na aldeia.

“Na minha comunidade, quando alguém caça, divide. Quando alguém pesca, pensa em todas as famílias. O cooperativismo me fez entender que eu não posso olhar só para mim. Tenho que olhar para quem está ao meu redor.”

Quando concluir a graduação em Direito, pretende voltar para a comunidade Sowaintê.

Quer desenvolver projetos, ampliar o acesso a direitos e contribuir para melhorar a vida do povo Sabanê.

Mas sabe que esse diploma nunca será apenas dele.

“Eu não entrei como Iliandro Sabanê. Eu entrei porque lideranças do meu povo assinaram minha carta de anuência. Eu também trago o meu povo junto comigo. Não é só uma realização pessoal. É uma conquista coletiva. Todo indígena que pensa em estudar quer ajudar o seu povo de alguma forma.”

Quase vinte anos atrás, um grupo de pais decidiu criar uma cooperativa para oferecer aos próprios filhos a educação que acreditavam merecer. Naquele momento, dificilmente imaginavam que a decisão tomada em uma pequena escola de Vilhena atravessaria gerações, formaria milhares de estudantes, inspiraria instituições em diferentes países e chegaria até uma comunidade indígena no interior da Amazônia.

João Henrique cresceu dentro desse projeto. Iliandro Sabanê pretende levá-lo de volta para casa. Entre as duas histórias existe um elo invisível: a certeza de que a educação é capaz de romper distâncias, criar oportunidades e devolver às comunidades pessoas preparadas para transformá-las.

Talvez seja justamente aí que o cooperativismo revele sua maior força. O desenvolvimento não permanece porque novos prédios são construídos ou porque indicadores melhoram. Ele permanece porque transforma pessoas. E pessoas transformadas voltam para transformar famílias, comunidades e territórios inteiros.

É assim que um sonho coletivo iniciado por 21 famílias continua produzindo resultados quase duas décadas depois. Não apenas formando profissionais, mas formando cidadãos que entendem que crescer só faz sentido quando esse crescimento também alcança o outro. É assim que o cooperativismo deixa de ser apenas um modelo de organização para se tornar um legado.

A Força da Intercooperação: Favoo e Sicoob Credisul transformam a educação e formam gerações no Cone Sul de Rondônia
Iliandro Sabanê, acadêmico do curso de Direito da Faculdade Favoo. (Foto: Arquivo Pessoal)

Rondoniagora.com

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Homem sai para colher castanhas e encontra ossos humanos em Ariquemes – WEB TV ALTERNATIVA

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Com o objetivo de preservar as condições de uso das estradas e contribuir para o deslocamento da população, a RO-479 no trecho entre Rolim de Moura sentido a BR-364, recebeu serviços de manutenção asfáltica em 37 quilômetros de extensão. A obra foi executada pelo Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e Transportes (DER-RO), através da Usina de Asfalto de Cacoal.Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, a conservação das rodovias estaduais é fundamental para facilitar o transporte de pessoas e mercadorias, além de fortalecer a atividade produtiva. Essas melhorias também contribuem para o desenvolvimento econômico e para o atendimento das necessidades da população em diferentes regiões do estado

De acordo com o diretor-geral do DER-RO, Diego Muniz, a execução dos serviços de manutenção é essencial para conservar o pavimento e ampliar as condições de circulação nas vias. “Temos trabalhado para manter a malha viária em condições adequadas de uso, atendendo trechos importantes para a mobilidade da população. A obra executada demonstra a atuação das equipes na conservação das estradas e no atendimento às necessidades de trafegabilidade”, ressaltou.

O coordenador de Usinas de Asfalto (COUSA), Lucas Albuquerque, explicou que os serviços de manutenção são importantes para preservar as condições do pavimento e contribuir para uma circulação mais segura e confortável ao longo do trecho atendido.

“Manter o asfalto em boas condições exige acompanhamento e serviços realizados de acordo com as necessidades de cada rodovia. Na RO-479, os serviços contribuem para melhorar a superfície de rolamento e oferecer condições mais adequadas para os motoristas que passam nesse trajeto”, pontuou.

O gerente da Usina de Asfalto de Cacoal, Sebastião Cardoso, destacou a importância da manutenção para quem passa pela rodovia diariamente. “A manutenção desse trajeto é importante porque contribui para melhorar a tráfego e facilitar o acesso entre a região de Rolim de Moura e a BR-364 para atividades diária.”

Via: web tv alternativa

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Caminhonete e van de transporte de detentos se envolvem em acidente na BR-429, próximo a Alvorada do Oeste – WEB TV ALTERNATIVA

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Com o objetivo de preservar as condições de uso das estradas e contribuir para o deslocamento da população, a RO-479 no trecho entre Rolim de Moura sentido a BR-364, recebeu serviços de manutenção asfáltica em 37 quilômetros de extensão. A obra foi executada pelo Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e Transportes (DER-RO), através da Usina de Asfalto de Cacoal.Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, a conservação das rodovias estaduais é fundamental para facilitar o transporte de pessoas e mercadorias, além de fortalecer a atividade produtiva. Essas melhorias também contribuem para o desenvolvimento econômico e para o atendimento das necessidades da população em diferentes regiões do estado

De acordo com o diretor-geral do DER-RO, Diego Muniz, a execução dos serviços de manutenção é essencial para conservar o pavimento e ampliar as condições de circulação nas vias. “Temos trabalhado para manter a malha viária em condições adequadas de uso, atendendo trechos importantes para a mobilidade da população. A obra executada demonstra a atuação das equipes na conservação das estradas e no atendimento às necessidades de trafegabilidade”, ressaltou.

O coordenador de Usinas de Asfalto (COUSA), Lucas Albuquerque, explicou que os serviços de manutenção são importantes para preservar as condições do pavimento e contribuir para uma circulação mais segura e confortável ao longo do trecho atendido.

“Manter o asfalto em boas condições exige acompanhamento e serviços realizados de acordo com as necessidades de cada rodovia. Na RO-479, os serviços contribuem para melhorar a superfície de rolamento e oferecer condições mais adequadas para os motoristas que passam nesse trajeto”, pontuou.

O gerente da Usina de Asfalto de Cacoal, Sebastião Cardoso, destacou a importância da manutenção para quem passa pela rodovia diariamente. “A manutenção desse trajeto é importante porque contribui para melhorar a tráfego e facilitar o acesso entre a região de Rolim de Moura e a BR-364 para atividades diária.”

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prevenir a violência contra mulheres exige educação, conscientização e uma rede de proteção – Especiais – WEB TV ALTERNATIVA

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Por meio de projetos educativos junto às escolas, ações de conscientização e serviços de acolhimento, o Ministério Público de Rondônia atua na prevenção da violência de gênero e no fortalecimento da rede de proteção.

Projeto do MP de Rondônia, Maria da Penha Vai à Escola

A violência contra meninas e mulheres nem sempre começa com uma agressão física. O controle sobre as roupas, a vigilância do celular, o afastamento de amigos e familiares, a humilhação e o ciúme excessivo também podem indicar comportamentos abusivos. Quando essas atitudes são interpretadas como demonstrações de amor ou cuidado, reconhecer os primeiros sinais de violência se torna mais difícil.

A prevenção passa pela educação, pelo diálogo e pela participação de diferentes setores da sociedade. Família, escola, comunidade e instituições de proteção têm papéis importantes na construção de relações baseadas no respeito, no consentimento e na igualdade de direitos.

Em Rondônia, iniciativas como o projeto Maria da Penha Vai à Escola, do Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO), levam o debate sobre violência contra meninas e mulheres ao ambiente escolar. Ao mesmo tempo, profissionais da educação e especialistas destacam a necessidade de ações contínuas, formação dos educadores e participação das famílias para que a prevenção não se limite a atividades pontuais.

Como os adolescentes aprendem sobre relacionamentos?

A família costuma ser o primeiro espaço em que crianças observam como as pessoas se relacionam, demonstram afeto e lidam com conflitos. Na adolescência, essas referências se somam às experiências na escola, às amizades e aos conteúdos consumidos nas redes sociais.

Segundo a psicóloga Julyana Pereira Bishop Camata, a necessidade de pertencimento pode levar adolescentes a reproduzir comportamentos e opiniões para serem aceitos por um grupo. As redes sociais também ampliam o acesso à informação, mas podem reforçar estereótipos e padrões irreais de relacionamento.

Essa combinação de referências ajuda a compreender por que alguns jovens interpretam o ciúme excessivo, o controle do celular e as restrições às amizades como demonstrações de amor. Durante as primeiras experiências afetivas, eles ainda estão construindo suas opiniões sobre relacionamentos e aprendendo a diferenciar cuidado de controle.

“Entre os sinais de alerta estão humilhações, ameaças, manipulações emocionais, chantagem, invasão de privacidade e desrespeito à recusa. Essas atitudes podem surgir antes de uma agressão física e, quando são tratadas como naturais, tornam mais difícil reconhecer uma relação abusiva.” Afirma a psicóloga Julyana Camata.

A forma como os meninos aprendem a lidar com as próprias emoções também merece atenção. De acordo com a psicóloga, em determinados contextos eles são ensinados a esconder sentimentos para corresponder a expectativas de masculinidade. Essa dificuldade pode prejudicar a comunicação, a resolução de conflitos e a aceitação de rejeições e limites.

Por isso, prevenir a violência não significa apenas ensinar meninas a identificar situações de risco. Também é necessário ajudar meninos a reconhecer os próprios sentimentos, respeitar os limites de outras pessoas e lidar com frustrações sem recorrer ao controle ou à agressividade.

A escola como espaço de prevenção

A escola pode contribuir para a prevenção da violência ao oferecer espaços de diálogo, estimular o pensamento crítico e discutir comportamentos que muitas vezes são naturalizados nas relações sociais.

Julyana defende que as abordagens sejam adequadas a cada faixa etária. Na infância, é importante ensinar sobre o direito ao próprio corpo e o respeito aos limites. Na pré-adolescência, as conversas podem incluir emoções, privacidade e estereótipos. Já na adolescência, é possível aprofundar temas como consentimento, relacionamentos afetivos, pressão dos grupos, violência e uso responsável das redes sociais.

Quando um adolescente reproduz uma fala machista ou um comportamento de controle, a família e a escola podem intervir.

Diálogo, orientação e reflexão acerca daquele comportamento são boas formas de intervenção, evitando apenas punições ou julgamentos que dificultem a compreensão do problema.

Desde 2021 a legislação brasileira, através da Lei Federal nº 14.164/2021, incluiu conteúdos sobre a prevenção da violência contra a mulher nos currículos da educação básica e instituiu a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher, realizada anualmente em março.

Para que esse trabalho aconteça ao longo do ano, são necessários planejamento, formação dos profissionais e recursos para desenvolver atividades pedagógicas. Maricélia do Lago, secretária de Assuntos Municipais do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Rondônia (SINTERO), destaca que a prevenção precisa envolver as equipes pedagógicas e preparar os professores para abordar o tema com os estudantes.

“Em nosso estado, esse é um tema que sempre está em evidência. Há muita violência contra mulheres e meninas, agredidas na família, na rua e também na escola, onde sofrem bullying. Esse é um trabalho que precisa ser desenvolvido nas escolas, por meio das equipes pedagógicas”, afirma Maricélia.

A preocupação ganha ainda mais relevância diante dos dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, segundo os quais Rondônia registrou, em 2025, uma taxa de 2,9 feminicídios por 100 mil mulheres, com 25 vítimas. O cenário reforça a importância de manter a prevenção em evidência durante todo o ano, com ações educativas contínuas, formação dos profissionais e participação das famílias.

A arte como caminho para discutir a violência

Além das palestras e rodas de conversa, professores também recorrem a novas estratégias para aproximar os estudantes do tema e tornar a aprendizagem mais significativa. 

Teatro, cinema, redação e outras formas de expressão artística podem aproximar os estudantes de temas complexos por meio da experiência, da criação e do debate. Em vez de apenas receber informações, os jovens têm a oportunidade de questionar comportamentos, interpretar situações e imaginar outras formas de convivência.

Para a professora Taiane Sales, a arte permite abordar questões sociais sem limitar a experiência educativa a discursos moralizantes ou respostas prontas.

As linguagens artísticas podem estimular os estudantes a investigar as causas da violência, reconhecer manifestações que foram naturalizadas e pensar em possibilidades de transformação. Nas artes cênicas, por exemplo, o encontro entre quem cria e quem assiste pode favorecer uma reflexão coletiva sobre experiências e relações sociais.

Durante o mês de agosto, Taiane acompanhou o Projeto Agosto Lilás do MPRO para desenvolver atividades com turmas da educação básica para discutir a violência contra as mulheres. Com estudantes do 9º ano, utilizou o curta-metragem “Contraste”, produzido por meio da Lei Paulo Gustavo, com apoio da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL). O projeto pode ser assistido clicando aqui. 

Professora Taiane Sales utilizou o curta-metragem Contraste em atividade sobre violência contra mulheres durante o Agosto Lilás. Captura de tela: YouTube, 2026.

O filme tem como protagonista a Palhaça Firmina, personagem que utiliza humor, ironia e performance para provocar reflexões sobre questões sociais, especialmente a violência contra as mulheres. A obra apresenta estatísticas e referências a casos de feminicídio, contrastando a comicidade da personagem com a gravidade da realidade denunciada.

A atividade foi desenvolvida durante um estudo sobre arte pública e suas possibilidades de intervenção nos espaços urbanos. Segundo Taiane, os estudantes participaram com mais entusiasmo, relacionaram o conteúdo artístico a questões sociais presentes no cotidiano e demonstraram interesse pela obra. 

A professora avalia que esse tipo de aproximação pode abrir espaço para conversas sobre assuntos difíceis em um ambiente menos formal. A partir da experiência, é possível discutir violência psicológica, moral e física, além de atitudes machistas que acabam sendo tratadas como normais nas relações cotidianas.

Não basta ensinar meninas a reconhecer a violência. Precisamos também educar meninos para que não a reproduzam. A escola tem um papel importante nessa construção, não apenas ao apresentar informações, mas ao criar espaços seguros de escuta, reflexão e responsabilização. Afinal, reconhecer uma violência também significa compreender que podemos ser instrumentos de proteção, tanto para nós mesmos quanto para outras pessoas.”

Professora Taiane Sales durante atividade sobre violência contra mulheres no Agosto Lilás

O acesso à cultura também faz parte desse debate. Taiane chama atenção para as desigualdades nas oportunidades de participação cultural, especialmente nas periferias e nos municípios do interior de Rondônia. Espetáculos teatrais, oficinas de cinema, dança e circo, projetos de grafite e iniciativas de comunicação escolar são algumas das experiências que podem ampliar o repertório dos jovens.

Para ela, projetos desse tipo permitem exercitar habilidades importantes para a convivência, como escutar, negociar, respeitar limites, acolher diferenças e lidar com frustrações. Embora uma atividade isolada não resolva problemas estruturais como o machismo, experiências coletivas podem criar oportunidades para refletir sobre a maneira como cada pessoa se relaciona com as outras.

A professora também defende a cultura como um direito e uma oportunidade de ampliar perspectivas.

Por isso, defender o acesso à cultura não é defender um privilégio ou uma atividade complementar. É defender um direito e uma possibilidade concreta de ampliar horizontes, fortalecer vínculos e construir outras perspectivas de futuro.

A atuação do MPRO na prevenção e no acolhimento 

Além das iniciativas desenvolvidas nas escolas, instituições públicas têm atribuições importantes na conscientização, na prevenção e no atendimento de situações de violência.

O MPRO desenvolve o projeto Maria da Penha Vai à Escola, voltado à discussão dos direitos das mulheres, à desconstrução de comportamentos machistas e à prevenção da violência de gênero. Estudantes têm acesso a palestras, rodas de conversa, oficinas, distribuição de cartilhas, vídeos educativos, dinâmicas para identificar comportamentos abusivos e caixas de perguntas anônimas.

O respeito que precisa ser ensinado: prevenir a violência contra mulheres exige educação, conscientização e uma rede de proteção
Auditório da Escola Estadual Josino Brito, em Cacoal, durante atividade de prevenção à violência contra meninas e mulheres. Foto: MPRO. 

Os conteúdos abordam diferentes formas de violência — física, psicológica, sexual, patrimonial e moral —, além de consentimento, limites nos relacionamentos, violência no namoro e riscos relacionados à exposição de imagens íntimas e a outras formas de violência digital.

Dados do Ministério Público registram atividades em diferentes localidades do estado. Em 2024, mais de 2.235 alunos e participantes foram contabilizados em ações realizadas em mais de 30 instituições de ensino, distribuídas por 14 municípios. Em 2025, aproximadamente 1.100 estudantes e professores foram atendidos diretamente em palestras realizadas em mais de 18 escolas e em 12 comarcas participantes.

Para 2026, o documento informa a adesão de 20 Promotorias de Justiça ao projeto e o envio prévio de 10 mil cartilhas educativas. O ciclo de palestras teve início em março e finaliza em novembro deste ano.

O respeito que precisa ser ensinado: prevenir a violência contra mulheres exige educação, conscientização e uma rede de proteção

O projeto também utiliza atividades culturais para discutir o tema. Uma das iniciativas citadas pelo MPRO foi o concurso de teatro “Uma Vida sem Violência é Direito de Todas as Mulheres”, realizado na comarca de Alta Floresta d’Oeste, com participação de estudantes da Escola Juscelino Kubitschek de Oliveira. A peça vencedora foi apresentada no auditório da Câmara Municipal.

A iniciativa teve repercussão na comunidade e contribuiu para impulsionar a aprovação da Lei Municipal nº 008/2024, que estabelece restrições à nomeação para cargos públicos municipais de pessoas condenadas com base na Lei Maria da Penha. 

O respeito que precisa ser ensinado: prevenir a violência contra mulheres exige educação, conscientização e uma rede de proteção
Trecho do Projeto de Lei nº 8/2024, que proibe nomeação para cargos públicos de pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha

Na rede estadual de ensino, a Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (SEDUC-RO) desenvolve o Projeto Educação de Paz (Epaz), implantado em 2023. A iniciativa busca fortalecer a cultura de paz, promover o acolhimento e contribuir para identificar situações de risco no ambiente escolar.

Segundo a Secretaria, o projeto envolve equipes pedagógicas e técnicas, psicólogos, assistentes sociais e profissionais das forças de segurança. Entre as ações estão atividades educativas, acompanhamento de ocorrências, atendimento multiprofissional, capacitação de gestores e articulação com a rede de proteção.

Quando a suspeita chega à rede de proteção

Para o Conselho Tutelar, a escola também tem papel fundamental na identificação de possíveis situações de violência. Professores e equipes pedagógicas podem perceber mudanças de comportamento, isolamento, queda no rendimento escolar ou sinais de sofrimento que merecem atenção. Segundo Ana Paula Lima Brito da Silva, conselheira tutelar, as escolas públicas e privadas podem comunicar suspeitas de violência sem precisar comprovar o ocorrido. A partir do encaminhamento, o Conselho avalia a situação e articula as medidas de proteção necessárias com os serviços de saúde, assistência social e demais órgãos competentes.

A avaliação da conselheira reforça a importância de aproximar as instituições que atuam na proteção de crianças e adolescentes .“A prevenção e o enfrentamento da violência exigem identificação precoce, acolhimento sem julgamento, comunicação adequada e atuação integrada da rede de proteção. O fortalecimento dessas parcerias institucionais permite respostas mais rápidas e efetivas, reduz a possibilidade de agravamento das situações e contribui para garantir os direitos, a segurança e o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.” afirma a Conselheira.

Nesse processo, o Ministério Público de Rondônia (MPRO) também tem papel relevante ao levar o debate sobre a violência contra meninas e mulheres. A continuidade dessas ações, aliada à formação dos educadores e à articulação com a rede de proteção, é fundamental para que a conscientização se transforme em prática cotidiana.

Prevenir é construir caminhos antes da violência

A prevenção da violência contra meninas e mulheres não se limita ao ambiente escolar. Embora a educação seja fundamental para questionar comportamentos abusivos desde cedo, o enfrentamento também depende de informação acessível, acolhimento às vítimas, formação dos profissionais e articulação entre as instituições responsáveis pela proteção.

Em Rondônia, o Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO) desenvolve, há anos, iniciativas de conscientização e enfrentamento à violência doméstica e familiar. Além do projeto Maria da Penha Vai à Escola, que leva o debate sobre violência de gênero ao ambiente escolar, a instituição mantém ações voltadas ao atendimento das vítimas e à ampliação do acesso aos serviços de proteção.

O respeito que precisa ser ensinado: prevenir a violência contra mulheres exige educação, conscientização e uma rede de proteção

Entre essas iniciativas estão o MP – Mulher Protegida, que aproxima os serviços do Ministério Público e da rede de proteção de mulheres que vivem em comunidades afastadas das sedes das comarcas; a Sala Lilás, voltada ao atendimento humanizado; a Ouvidoria das Mulheres; e o Núcleo de Atendimento às Vítimas (NAVIT), que atua no acolhimento, na orientação e no encaminhamento de vítimas e familiares aos serviços necessários. O Mapa da Violência Doméstica, por sua vez, reúne dados sobre o problema em Rondônia e pode contribuir para dimensionar a situação e subsidiar o planejamento de ações públicas.

Em 2026, quando a Lei Maria da Penha completa 20 anos, a programação do Agosto Lilás inclui iniciativas para ampliar o acesso à informação e aos serviços de proteção. Entre as iniciativas anunciadas pelo MPRO estão o Portal de Proteção, que reúne informações sobre serviços e canais de atendimento, e uma cooperação com a empresa Urbano Norte para facilitar o deslocamento de mulheres em situação de violência até os órgãos da rede de proteção.

A persistência da violência também foi lembrada por Benedita Nascimento, representante da Rede Lilás, durante o evento de abertura do “Agosto Lilás”. Ao refletir sobre o tempo transcorrido desde a criação da Lei Maria da Penha, ela expressou a indignação diante da permanência da violência doméstica e do feminicídio.

“É muito desagradável estar ainda, após 19 anos da Lei Maria da Penha, tentando encontrar uma saída para enfrentar o feminicídio e a violência doméstica.”

A fala evidencia o tamanho do desafio: mesmo com avanços legais e a ampliação dos serviços de proteção, ainda é necessário encontrar caminhos para impedir que a violência continue atravessando a vida de meninas e mulheres.

Prevenir exige mais do que agir depois da agressão. É ensinar, desde cedo, que respeito não combina com controle, que ciúme não justifica humilhação e que nenhuma pessoa tem o direito de decidir sobre a vida de outra. É garantir que a informação chegue a quem precisa, que o acolhimento não culpe a vítima e que a rede de proteção esteja preparada para agir.

Prevenir é abrir caminhos antes que a violência os feche. É permitir que meninas cresçam sem confundir controle com amor, que mulheres façam suas escolhas sem temer represálias e que nenhuma vítima precise enfrentar sozinha aquilo que a sociedade tem o dever de combater.

Porque uma menina livre é aquela que pode imaginar o próprio futuro sem medo. E uma mulher livre é aquela que pode vivê-lo com voz, autonomia e segurança. Construir essa realidade é fazer com que meninas e mulheres possam viver por inteiro, em todos os espaços, sem que a liberdade lhes custe a própria segurança.

* Jéssica de Carvalho Arrais é Acadêmica da Universidade Federal de Rondônia

Rondoniagora.com

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