Mais de 9 anos após o assassinato de Wilmar Batista de Sousa em Porto Velho, os acusados Cleonice Pereira de Lima Naressi e o filho, Henrique Naressi, terão de enfrentar novamente o Tribunal do Júri. A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) anulou o julgamento que absolveu os dois do homicídio ao reconhecer contradição na decisão dos jurados, que, ao mesmo tempo, os condenaram por queimar e ocultar o corpo da vítima.
O novo julgamento foi determinado após recurso apresentado pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO). Cleonice e Henrique são acusados de homicídio triplamente qualificado e voltarão a ser julgados também pelo crime conexo de ocultação de cadáver.
Wilmar foi morto no dia 9 de junho de 2017, na residência onde vivia com os acusados, na Rua Salgado Filho, bairro São João Bosco, em Porto Velho. Cleonice era convivente da vítima, enquanto Henrique era seu enteado.
A acusação aponta que mãe e filho, cada um armado com uma faca, teriam atacado Wilmar depois do jantar, atingindo-o no tórax. O corpo foi queimado e escondido em um local afastado, numa tentativa de dificultar sua identificação.
A motivação apontada no processo envolve o interesse no recebimento de uma pensão previdenciária e de um seguro de vida de R$ 150 mil da vítima. O crime também teria servido para impedir que Wilmar denunciasse à Polícia um furto de relógios praticado por Cleonice no apartamento de um vizinho.
No primeiro julgamento, entretanto, o Conselho de Sentença absolveu Cleonice e Henrique do homicídio, mas os condenou pela queima e ocultação do corpo de Wilmar. A contradição entre as respostas dos jurados levou o MPRO a recorrer da decisão.
Relator da apelação, o desembargador Álvaro Kalix entendeu que os dois precisam ser submetidos a outro Conselho de Sentença, que deverá analisar novamente tanto a acusação de homicídio triplamente qualificado quanto a ocultação do cadáver.
O recurso foi julgado em sessão eletrônica realizada entre os dias 3 e 7 de agosto. Além de Álvaro Kalix, participaram do julgamento os desembargadores José Jorge Ribeiro da Luz e Adolfo Theodoro Naujorks Neto.
A decisão foi proferida na Apelação Criminal nº 1009534-21.2017.8.22.0501.
O candidato a governador pelo PSB, Samuel Costa, pediu o registro de candidatura ao Tribunal Regional Eleitoral nesta quinta-feira e apresentou, como determina legislação, o Plano de Governo. Marcos Rogério (PL) e Hildon Chaves (Federação União Progressista) também pediram seus registros com suas respectivas propostas. Já Adailton Fúria (PSD) e Expedito Netto (PT) não enviaram junto com o pedido de registro o Plano de Governo. Fúria já regularizou sua situação e Netto foi notificado pela área técnica do TRE.
Suscinto, o Plano de Governo de Samuel Costa contempla todas as áreas com avanços. Ele promete implantar 100 escolas de tempo integral nos 4 anos de Governo e criar a Universidade Estadual de Rondônia, ideia já lançada em outras campanhas, inclusive vitoriosas. A ideia nunca saiu do papel. Um outro ponto destacado por Samuel é a construção do novo hospital João Paulo II, em Porto Velho, na área onde hoje está localizado o esqueleto da abandonada sede da Polícia Rodoviária Federal.
Quem precisa atravessar Rondônia para conseguir uma consulta, exame ou cirurgia conhece um dos problemas que o primeiro eixo do plano de governo de Marcos Rogério pretende enfrentar: a distância entre o paciente e o atendimento.
Segundo o Plano de Governo registrado na Justiça Eleitoral, a saúde é a primeira das dez áreas prioritárias da chapa formada por Marcos Rogério e pelo candidato a vice-governador, deputado estadual Delegado Rodrigo Camargo, da Coligação Juntos por Rondônia.
Ao todo, são 23 projetos e frentes de atuação, que incluem redução de filas, reorganização da regulação, regionalização do atendimento, telemedicina, saúde ribeirinha e indígena, saúde mental, atendimento a pessoas com deficiência e neurodivergência, saúde bucal, hospitais e reabilitação.
Gabinete de crise e redução das filas
A primeira medida prevista é o Gabinete de Crise da Saúde, sob coordenação direta do governador. A estrutura deverá levantar gargalos de gestão, contratos, estoques, situação dos hospitais e capacidade de atendimento. A Central de Regulação também será analisada para dimensionar as filas e a capacidade disponível na rede pública e complementar.
Nos primeiros 100 dias, o plano prevê concluir o diagnóstico, qualificar as filas e publicar um plano emergencial.
O S.O.S. Saúde terá duração inicial de 180 dias para reduzir o passivo de consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas. A proposta prevê utilizar capacidade ociosa da rede pública e, quando necessário, contratar serviços privados e filantrópicos, inclusive à noite e nos fins de semana.
O Cirurgia Já seria permanente, com produção cirúrgica durante todo o ano, metas regionais, acompanhamento de prazos e auditoria dos resultados.
Regulação e regionalização
O SIRO é apresentado como uma nova geração da regulação estadual, conectando os 52 municípios e os distritos. A plataforma deverá organizar solicitações por protocolos clínicos, risco e tempo de espera e acompanhar leitos, consultas e exames.
O modelo será acompanhado pela Comissão Estadual de Inteligência e Monitoramento em Saúde (CEIMS). Também está prevista a utilização do FluxSUS, ou solução equivalente, para identificar onde os pacientes procuram atendimento e quais regiões enviam demanda para outros municípios.
O programa Saúde Perto de Casa prevê a chamada Tabela SUS Rondoniense, com complementação estadual de valores para determinados procedimentos, vinculada a metas, qualidade e auditoria. A proposta é ofertar consultas e exames, como endoscopia, colonoscopia e ecocardiograma, mais perto da residência do paciente.
O plano prevê Ambulatórios Médicos de Especialidades em Vilhena, Cacoal, Rolim de Moura, Ji-Paraná, Ariquemes, São Francisco do Guaporé e Guajará-Mirim, além dos Contratos de Gestão Regionalizada da Saúde, com metas de acesso, segurança, qualidade e eficiência.
Telemedicina, carretas e atendimento pelos rios
Saúde Digital, Telemedicina, Teleconsultoria e Telematriciamento permitirão que médicos da atenção básica discutam casos com especialistas de outras regiões.
Os Containers Consultórios seriam unidades modulares com acessibilidade, climatização, privacidade e conexão segura, inclusive por satélite. As Carretas da Saúde levariam exames avançados e pequenos procedimentos às regiões com demanda reprimida.
A Política Estadual de Saúde Ribeirinha prevê atendimento médico e odontológico, vacinação, exames, ultrassonografia, eletrocardiograma, medicamentos e acompanhamento de doenças crônicas nas áreas de maior dificuldade de acesso.
Já a Política Estadual de Saúde dos Povos Indígenas prevê articulação entre Estado, Secretaria Especial de Saúde Indígena, Distritos Sanitários Especiais Indígenas e municípios para organizar o acesso a urgências, consultas, exames, cirurgias e internações.
Profissionais, saúde mental e neurodivergência
O Programa Estadual de Força de Trabalho deverá dimensionar a necessidade de profissionais por unidade e região, com previsão de concursos planejados, substituição gradual de vínculos precários, distribuição das equipes e educação continuada.
O Centro Logístico de Abastecimento e Distribuição (CELAD) pretende centralizar medicamentos, materiais e insumos, com controle digital de estoques, validade, lotes e distribuição. Na saúde mental, o plano prevê o Centro Estadual de Saúde Mental, como retaguarda para CAPS, atenção primária e leitos de saúde mental em hospitais gerais, além de prevenção ao suicídio e atenção às crises.
A Política Estadual para Pessoas com Deficiência e Neurodivergência prevê identificação precoce de sinais de atraso no desenvolvimento e integração entre saúde, educação e assistência social. O plano prevê estudos para implantação de Centros Especializados em Autismo e Neurodesenvolvimento em Porto Velho, Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena.
O Sorriso Rondoniense prevê organização da rede de saúde bucal, incluindo próteses, cirurgias e atendimento especializado. O Mulher Plena cria uma linha de atendimento para a menopausa, com ginecologia, endocrinologia, nutrição e psicologia, além da Caravana Mulher Plena.
Hospitais, trauma e reabilitação
O novo Hospital de Urgência de Porto Velho está entre as prioridades e substituiria a estrutura atual do João Paulo II, com alta complexidade, centro cirúrgico, terapia intensiva, trauma e diagnóstico por imagem.
Em Ariquemes, a proposta é retomar e concluir o Hospital Regional. O Plano Integrado de Modernização da Rede Hospitalar deverá orientar a ampliação de leitos e novas estruturas a partir de dados sobre demanda, ocupação, filas, profissionais e custos. Ji-Paraná aparece entre os pontos a serem fortalecidos.
A 23ª proposta é o Complexo Estadual de Trauma e Reabilitação, com Hospital Estadual de Trauma e Centro Estadual de Reabilitação. O projeto prevê ainda modernização do Banco Estadual de Órteses e Próteses e criação de um Centro de Formação em Trauma para equipes do SAMU, Corpo de Bombeiros e profissionais médicos.
No desenho apresentado por Marcos Rogério e Delegado Rodrigo Camargo, a saúde reúne regulação, profissionais, logística, atendimento regional, hospitais, prevenção e reabilitação. A régua proposta é simples: quanto tempo o paciente esperou, quantos quilômetros precisou percorrer e se conseguiu, de fato, ser atendido.
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