As direções partidárias já destinaram R$ 71.904.625,03 a campanhas das eleições de 2026 em Rondônia, segundo dados financeiros informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e disponíveis no sistema de compilação do RONDONIAGORA. Ao todo, aparecem 19 direções partidárias e 168 campanhas beneficiadas.
A Direção Nacional do PL aparece com folga na liderança: foram R$ 18,04 milhões destinados a 28 campanhas. O valor corresponde a aproximadamente 25,1% de todo o dinheiro listado. Na segunda posição está a Direção Nacional do União, com R$ 11.439.769,32, seguida pelo PP, com R$ 8.276.572,53.
Somadas, as três maiores fontes — PL, União e PP — respondem por R$ 37.756.341,85, ou 52,5% de todas as destinações financeiras relacionadas nos dados.
O Republicanos ocupa a quarta colocação, com R$ 6.839.518, distribuídos entre 25 campanhas. Depois aparecem PDT, com R$ 5,975 milhões; Podemos, com R$ 5,85 milhões; e PT, com R$ 5.684.485,92. Juntas, as sete primeiras direções do ranking concentram R$ 62.105.345,77, equivalente a cerca de 86,4% de todo o volume listado.
Marcos Rogério aparece com maior destinação individual
Entre as campanhas beneficiadas, o maior valor individual listado é o destinado a Marcos Rogério, candidato a governador: R$ 3.726.000, provenientes da Direção Nacional do PL.
Na sequência aparece Sílvia Cristina, candidata ao Senado, com R$ 3.176.572,53 destinados pela Direção Nacional do PP. Hildon Chaves, candidato a governador, recebeu R$ 3 milhões da Direção Nacional do União, mesmo valor destinado pela Direção Nacional do PDT a Acir Gurgacz, candidato ao Senado.
Os dados do TSE também mostram casos em que a mesma campanha recebeu recursos de mais de uma direção partidária. Mariana Carvalho, candidata ao Senado, tem R$ 1 milhão destinado pela Direção Nacional do União e outros R$ 858.516 pelo Republicanos, chegando a R$ 1.858.516 nas destinações relacionadas.
Expedito Netto, candidato a governador, aparece com R$ 1.867.824,65 destinados pela Direção Nacional do PT. Fernando Máximo, candidato ao Senado, recebeu R$ 1.676.000 do PL. Já Coronel Chrisóstomo e Lúcio Mosquini, candidatos a deputado federal, aparecem com R$ 1.649.000 cada, também provenientes da Direção Nacional do PL.
A candidata ao Senado Luciana Oliveira recebeu R$ 1.588.286,27 da Direção Nacional do PT. Entre os candidatos proporcionais, depois de Chrisóstomo e Mosquini, Cristiane Lopes aparece com R$ 1,25 milhão do Podemos, enquanto Gil do Divino Cardoso e Sofia Andrade receberam R$ 1,2 milhão cada do PL.
Para deputado estadual, o maior valor individual listado é de Ismael Crispin, com R$ 1,102 milhão da Direção Nacional do PP. Ele é seguido, entre os valores mais altos para o cargo, por Ieda Chaves, com R$ 750 mil; João do Cerna, com R$ 681 mil; e Marina da Pesca, com R$ 550 mil.
Maior parte do dinheiro foi para deputado federal
Considerando todas as destinações relacionadas nos dados do TSE e agrupando-as pelos cargos informados, as campanhas para deputado federal receberam R$ 38.859.808,20, cerca de 54% do total. As campanhas ao Senado somam R$ 12.324.374,80; as de deputado estadual, R$ 11.079.117,38; e as de governador, R$ 9.641.324,65.
Esses valores resultam exclusivamente da soma das destinações individualizadas nos dados analisados e fecham exatamente nos R$ 71.904.625,03 informados como total das doações listadas.
Ranking das direções partidárias
Deslize a tabela para o lado para ver todos os dados.
Posição
Direção partidária
Valor destinado
Campanhas beneficiadas
🥇1º
PL – Nacional
R$ 18.040.000,00
28
🥈2º
União – Nacional
R$ 11.439.769,32
16
🥉3º
PP – Nacional
R$ 8.276.572,53
10
4º
Republicanos – Nacional
R$ 6.839.518,00
25
5º
PDT – Nacional
R$ 5.975.000,00
8
6º
Podemos – Nacional
R$ 5.850.000,00
9
7º
PT – Nacional
R$ 5.684.485,92
18
8º
PSD – Nacional
R$ 4.000.000,00
8
9º
PRD – Rondônia
R$ 2.398.000,00
6
10º
Solidariedade – Nacional
R$ 1.190.000,00
5
11º
MDB – Nacional
R$ 1.060.000,00
3
12º
Avante – Nacional
R$ 622.000,00
9
13º
Novo – Nacional
R$ 300.000,00
9
14º
MDB – Rondônia
R$ 83.500,00
10
15º
PV – Nacional
R$ 50.000,00
2
16º
Missão – Nacional
R$ 39.338,34
4
17º
PDT – Rondônia
R$ 27.360,92
4
18º
PCdoB – Nacional
R$ 25.000,00
2
19º
PCdoB – Rondônia
R$ 4.080,00
2
Recordistas entre as campanhas
Deslize a tabela para o lado para ver todos os dados.
Posição
Candidato
Cargo
Total listado
🥇1º
Marcos Rogério
Governador
R$ 3.726.000,00
🥈2º
Sílvia Cristina
Senado
R$ 3.176.572,53
🥉3º
Hildon Chaves
Governador
R$ 3.000.000,00
🥉3º
Acir Gurgacz
Senado
R$ 3.000.000,00
5º
Expedito Netto
Governador
R$ 1.867.824,65
6º
Mariana Carvalho
Senado
R$ 1.858.516,00
7º
Fernando Máximo
Senado
R$ 1.676.000,00
8º
Coronel Chrisóstomo
Deputado federal
R$ 1.649.000,00
8º
Lúcio Mosquini
Deputado federal
R$ 1.649.000,00
10º
Luciana Oliveira
Senado
R$ 1.588.286,27
No caso de Mariana Carvalho, o ranking soma os R$ 1 milhão do União aos R$ 858.516 do Republicanos, porque os dados do TSE apresentam a mesma candidata e o mesmo cargo nas duas destinações.
2026 aparenta ser um ano de apertar o cerco no mercado de apostas esportivas, com novas regras de publicidade, influenciadores e posicionamento das bets. Só no último mês de agosto, três frentes do governo mexeram quase ao mesmo tempo no setor de apostas.
O Ministério da Cultura estudou restringir patrocínio de bets na Lei Rouanet, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) preparou regras de design para as plataformas e Lula confirmou um novo ministério recebendo parte do dinheiro arrecadado das bets.
O debate já não gira em torno de quem pode operar apostas no país e sim sobre como as promessas de ganhos aparecem nas telas do usuário.
A redefinição das regras: restrições ao patrocínio no setor cultural
Desde 2025, as bets destinaram R$ 11,8 milhões a projetos culturais via Lei Rouanet, incluindo festas em Maresias e no Guarujá. Fora da Rouanet, a Superbet afirma ter investido quase R$ 150 milhões em patrocínios culturais, com presença em festivais como Rock in Rio.
Só que o Executivo quer limitar a exposição de marcas de bets em projetos culturais com incentivo fiscal público, sem impedir o financiamento em si. Ao que parece, a ideia do governo é fazer com que essas marcas não se associem a eventos com forte apelo aos públicos de classes sociais mais baixas.
O meio artístico é um dos que mais se lamentam pela presença massiva das bets na sociedade. Em reunião no Planalto, em 1º de setembro de 2026, o rapper Emicida disse a Lula que recursos hoje destinados às apostas antes sustentavam ingressos, discos e camisetas.
Design responsável e proteção ao consumidor na arquitetura digital
Em uma nova movimentação, a SPA, vinculada à Fazenda, prepara uma portaria sobre design e experiência do usuário nas plataformas de bets, proibindo contadores de urgência artificial e qualquer sugestão de que jogos de puro azar dependem de habilidade, com prazos de 30 a 180 dias para adequação.
Isso é mais uma ação, dentre várias, como a que tratou daregulamentação das plataformas de bônus sem depósito ou a que proibiu as casas de apostas de induzir ou influenciar a realização de apostas em seus anúncios publicitários.
Padronizando a interface e design das plataformas de apostas online, o governo espera tornar esses ambientes menos propícios às apostas, por mais contraintuitivo que essa frase pareça. Ao final, quem utilizar uma operadora vai ter a certeza de que ela cumpre as novas exigências de design antes de depositar qualquer valor.
Impacto macroeconômico e a destinação de impostos das apostas
Em entrevista ao Jornal Nacional, Lula confirmou a intenção de desmembrar a pasta da Justiça e criar um novo ministério de segurança pública assim que o Senado aprovar a PEC 18/2025. A proposta, já aprovada na Câmara, destina 30% de toda a arrecadação das bets, física e digital, ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional.
A medida muda o papel da arrecadação das bets, que pagaram R$ 9,95 bilhões em impostos ao governo federal em 2025, com alíquota de 12% sobre a receita bruta de jogo.
Até aqui, esse dinheiro entrava no caixa geral como mais uma fonte de receita. Com a PEC, uma fatia fixa passa a bancar diretamente uma política pública apresentada como marca do atual mandato presidencial. O nome definitivo da nova pasta ainda depende da votação final no Senado.
O dilema, porém, é regional, já que estados e municípios que mais arrecadam com apostas nem sempre recebem de volta o mesmo tanto em segurança ou assistência. Parte do dinheiro sequer é arrecadada, ou, quando é, não chega a essa conta, já que as bets ilegais proliferaram no país.
Mesmo após a regulamentação das apostas esportivas no Brasil, estima-se que o mercado clandestino de apostas tenha movimentado R$ 10,8 bilhões que deixaram de ir para operadores regulados.
O futuro do mercado regulado frente ao controle governamental
As três frentes, cultura, design e arrecadação, apontam para um mercado que cresce em fiscalização tanto quanto em faturamento. A partir de 2027, projetos culturais perdem parte do apelo comercial das bets.
Ainda em 2026, as plataformas têm até 180 dias para certificar novamente jogos e apenas 30 para ajustar telas, avisos e fluxos de cadastro ao novo padrão de design. O período de adaptação vale tanto para grandes operadoras quanto para casas menores recém-licenciadas.
Para o setor, a régua de exigências deixou de ser hipotética. Recertificação de jogos, restrição de patrocínio cultural e uma fatia fixa de impostos carimbada para segurança pública formam o conjunto de regras para continuar autorizado a funcionar no Brasil.
Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência. Apenas para maiores de 18 anos.
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